i gotta feeling that 2010 gonna be a good good year. that 2010 gonna be a good good year. i gotta a feeling.
um ano cheio de momentos agradáveis são os meus votos para quem aqui passa.
Livrai-me, Senhor/De tudo o que for/Vazio de amor/ Que nunca me espere/Quem bem não me quer/(homem ou mulher)/ Livrai-me também/De quem me detém/E graça não tem/ E mais de quem não/Possui nem um grão/ De imaginação. "Libera-me". Carlos Queiroz
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
i gotta feeling
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ao meu gato
tem um boato:
-é um gato que mete medo.
mas, alfredo não mete medo a ninguém!
poderão constestar, dizer que não é assim...
mas com ele vivo e dele sei dizer:
- é o gato mais simpático
e do melhor que o mundo pode ter.
porquê?
porque é o meu, o gato. o alfredo.
domingo, 1 de novembro de 2009
A nossa tentação de florir
ó árvore que irrompes da tua secura
suportando o penoso desdobrar de teus ramos
amaldiçoada
ofereces ainda a doçura de teus frutos
a sombra de tuas folhas
a firmeza do teu apego à terra
Ó dura bruta forma
heroína da escassez
ó teimosa
que insistes e insistes
e nos ensinas
que a vida é feita de incessantes mortes
e que a nós
suas futuras vítimas
nos aguarda
a todo o momento
a derrocada do templo
sem nenhum outro fruto
além da amargura
Ó doçura
porque amargas tanto
a nossa tentação de florir
ao mesmo tempo sendo tudo
---------------------------------e nada ?
Ana Hatherly
in Rilkeana. Assírio & Alvim. 1999.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
zombie
apetecia-me, por vezes, no meu local de trabalho ter a possibilidade de emitir uns grunhidos, como um zombie para meter medo, muito medo... a umas pessoas que mortinhas por dentro, não conseguem ver mais do que a realidade que lhes é dada, ou transmitida. enquanto tal vontade não passa disso mesmo, fica aqui a informação de que no dia 31 de outubro, na cidade de belém, no brasil, vai realizar-se mais um encontro zombie walk. os participantes, vestidos de forma adequada, caminham e emitem sons pelas ruas da cidade. a primeira vez que ocorreu tal evento foi em 2003, no canadá. para quando em portugal?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
words
even the miraculous ones.
For the miraculous we do our best,
sometimes they swarm like insects
and leave not a sting but a kiss.
They can be as good as fingers.
They can be as trusty as the rock
you stick your bottom on.
But they can be both daisies and bruises.
Yet I am in love with words.
They are doves falling out of the ceiling.
They are six holy oranges sitting in my lap.
They are the trees, the legs of summer,
and the sun, its passionate face.
Yet often they fail me.
I have so much I want to say,
so many stories, images, proverbs, etc.
But the words aren't good enough,
the wrong ones kiss me.
Sometimes I fly like an eagle
but with the wings of a wren.
But I try to take care
and be gentle to them.
Words and eggs must be handled with care.
Once broken they are impossible
things to repair.
Anne Sexton
domingo, 25 de outubro de 2009
um vídeo que fale por ti
I'm so tired, of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play
For I've been a temptress too long
Just. .
Give me a reason to love you
Give me a reason to be ee, a woman
I just wanna be a woman
From this time, unchained
We're all looking at a different picture
Thru this new frame of mind
A thousand flowers could bloom
Move over, and give us some room
Give me a reason to love you
Give me a reason to be ee, a woman
I just wanna be a woman...
boa semana! de preferência comigo, cc ;)
chuva
outro tempo tem faltado, ou vontade, de aparecer aqui para escrever sobre a chuva de ideias que tem inundado este país, por causa de situações tolas, de afirmações tolas. e os parvos, como eu, deixam-se, por vezes, também, levar na enxurrada e cair como tordos, de cabeça, no mar de opiniões que descem pelas ruas, a maioria em direcção ao esgoto; algo a que não estamos imunes, quando revelamos o como não gostamos de indiferença. poderia escrever sobre as eleições mas já não é tempo. poderia falar sobre o prémio nobel da paz entregue a obama, antes do tempo. poderia aqui escrever sobre o vídeo da maitê mas está, por si, fora de tempo, sem assunto. poderei escrever sobre as afirmações de saramago mas deus ainda não me deu tempo para ler o livro caim e o que conheço da bíblia leva-me a definir o seu pensamento como primário. poderei escrever sobre a remodelação do governo que a liberdade de expressão me permite considerar como uma grande merda, mesmo sem os dignos ministros terem actuado, pois existe uma conjuntura e, mais do que isso, o conteúdo de um programa, para o qual não há caras que o valham nem tempo para modificar o quer que seja.
agora, após o pouco que escrevi, digam lá que não mereço ser portuguesa ou que não me querem em portugal ou caso vá para fora, não me deixam entrar no país em que nasci que de imediato desejo-vos um balde de água pela cabeça abaixo, só para refrescar ideias… ainda vivo num país livre e democrático, e o tempo dos feudos já era.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
um vídeo que fale por ti
vejam as diferenças, ou semelhanças. passado algum tempo teremos mudado assim tanto? nas atitudes? nos valores? essencialmente no vestuário, dirão alguns. a essência humana será sempre a mesma, mais ou menos engarrafada por e em regimes políticos. por enquanto, continuo a dizer ' viva a república' com ou sem presidente. quanto à música... essa continua a mudar por aqui.
domingo, 13 de setembro de 2009
estou de regresso com o pé, com a mão e tudo o resto
o trabalho já me consome os dias, caracterizados também por coleccionismo de energia essencial nesta fase de arranque. aqui fica uma cantora que revela um verdadeiro amor ao trabalho. talvez qualquer dia consiga chegar ao nível dela. mas duvido... o meu amor é outro.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
uma imagem que fale por ti
yes! iupi! aqui vou eu...
contigo,
na distância a que te quiseste colocar
do meu coração,
muito próximo.
sábado, 25 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
um vídeo que fale por ti
ontem fui vê-la e ouvi-la numa noite com muito para recordar. estava linda com um vestido vermelho e um chapéu (ai o que eu adoro chapéus!). cantou de maneira deliciosa, a convencer qualquer coração desprevenido. adorei.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
aconteceu
o homem pisou a lua há 40 anos. por mais que eu explique à minha avó, ela continua a afirmar que "isso é uma invenção". claro que não posso mostar-lhe este vídeo, lá iam os meus argumentos pelo cano abaixo. mas pelos vistos há mais com a opinião dela. vamos lá entender isto...
domingo, 19 de julho de 2009
o deus da matança
Yasmina Reza, autora de várias peças de teatro de sucesso como Arte, retrata aqui o ser humano como um ser por natureza violento, colocando em causa os aclamados avanços civilizacionais. como refere numa entrevista presente no catálogo da peça:
- Não acho que o ser humano seja pacífico. Penso que não se evoluiu desde a idade da pedra e que o verniz social que nos protege da selvajaria é inquietantemente ténue, está sempre prestes a estalar. Ponha quatro pessoas dentro de um elevador que se avaria de repente e elas ficam doidas. Basta haver pânico e toda a gente se espezinha. Observe as crianças a brincar na areia: não têm alternativa, batem umas nas outras para ficarem com um objecto na mão. Eu escrevo um teatro de nervos, porque são os nervos que nos comandam. As personagens que componho desde sempre são pessoas bem-educadas que pretendem manter a compostura. Mas como também são muito impulsivas, não conseguem manter as regras que impuseram a si próprias. Vão derrapar, mas sempre contra a sua vontade, mesmo quando estão em plena derrapagem. É precisamente esta luta da pessoa contra si própria que me interessa.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
pim pam pum
fui em duas situações avaliada.
deram-me excelente
e um bom, bum.
pim pam pum
não entendo esta sociedade,
que tudo quer avaliar.
comemos tantas vezes gato por lebre,
e aceitam sem contestar.
pim pam pum
reclamam a excelência,
com a sua licença.
o empregado mediano vai para a rua
com elegante veemência.
pim pam pum
só admistradores e engenheiros
nunca são avaliados.
levam indemnizações chorudas,
enquanto o povo é separado.
pim pam pum
mais poderia falar,
mas daria confusões.
observo muita loucura
e assisto a discriminações.
pim pam pum
venham mais avaliações,
reflexos dos tempos que correm.
avalie-me sua excelência,
para por tudo na ordem...
pim pam pum
quinta-feira, 16 de julho de 2009
um vídeo que fale por ti
apetece-me informar a todos os que por aqui passam do que não tenho em forma de cocktail, ou seja, tudo ao molho e fé em deus, sem ordem que valha. assim, aqui vai...não tenho dinheiro para ir viajar para fora de portugal. não tenho roupa nova de verão. não tenho um pai que se preocupe com a minha existência. não tenho o ordenado que mereço ganhar. não tenho um autógrafo de obama. não tenho namorada. não tenho uma casa ao pé do mar. não tenho a casa arrumada. não tenho cães. não tenho uns quilos a menos. não tenho idade para ter juízo. não tenho moral. não tenho classe. não tenho jeito para fazer fretes. não tenho paciência para a arrogância e a hipocrisia. não tenho um biquini novo. não tenho tempo para muito do que eu realmente gostaria de fazer. não tenho nenhuma cerveja no frigorífico. não tenho comprado tantos livros como gostaria. não tenho muito. não tenho pouco. não tenho telefone fixo. não tenho pão em casa. não tenho o meu gato próximo de mim. não tenho em DVD todas as obras de Fellini. ah! não tenho gripe A. não tenho mais nada a dizer, por agora. não tenho. logo se vê numa próxima.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
palavras fundamentais
sino que repique
ou sulco onde floresça e frutifique
a árvore luminosa da ideia.
Alça a tua voz sobre a voz sem nome
de todos demais, e faz com que ao lado
do poeta se veja o homem.
Enche o teu espírito de lume;
procura as eminências do cume
e, se o esteio nadoso do teu báculo
encontrar algum obstáculo ao teu inferno,
sacode a asa do atrevimento
perante o atrevimento do obstáculo.
Nicolás Guillén
in Antologia Poética. Campo das Letras. 1995
sexta-feira, 3 de julho de 2009
acontece
por agora há muitos e bons acontecimentos a ocorrer pela cidade. aqui vai mais uma sugestão. no cinema king, desde 2 de julho a 2 de setembro, estão presentes os melhores filmes estreados entre junho'08 e junho '09. para quem não viu alguns deles, como eu, é uma boa oportunidade para sair de casa. o preço também é apelativo - 3,50€. o ar condicionado tem dias...
terça-feira, 30 de junho de 2009
um vídeo que fale por ti
domingo, 28 de junho de 2009
desabafo
quinta-feira, 25 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Pequenas coisas
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
in Escrito a vermelho.Campo das Letras.1999
quinta-feira, 18 de junho de 2009
o verão está cá
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
digo asneiras
a vida não é só cor-de-rosa como só preta. querer olhar para ela só de uma cor é levar-nos ao abismo, à desilusão, ao desespero, à depressão. assim, vamos lá por as coordenadas e os memorandos em acção e verificar que afinal todos nós temos momentos bons, assim-assim e menos bons. faz parte da vida - roxa, verde, amarela, azul, laranja, vermelha... e estamos aqui para sermos felizes, às vezes e infelizes, outras vezes, também. agora, não me atirem com a felicidade à cara, como quem come tremoços pois, começo a dizer asneiras!
terça-feira, 9 de junho de 2009
um vídeo que fale por ti
apetece-me ouvir histórias. transportá-las. agarrá-las. cortar as palavras desnecessárias. e depois valer-me delas; das histórias. na vida. que se repete, muitas vezes em círculos.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
os caracóis e as carpas têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carpas e os caracóis não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracoias e os carpos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os carapoicos e os parcos não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carapaias e os porcos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracoicos e as parras não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carassaias e os parcas têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracorpos e as praias não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracaias e os poicos têm
vês
Ana Hatherly
in um calculador de improbabilidades. Quimera. 2001
quinta-feira, 4 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
eleições
terça-feira, 26 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
as palavras
as palavras
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Eugénio de Andrade
sábado, 23 de maio de 2009
um vídeo que fale por ti
a vida não é linear. tem voltas e voltas, altos e baixos, alegrias e tristezas. faz tudo parte. não existem manuais, nem receitas. cada um, por si, vai construindo o seu próprio "livro" de vivências com umas dicas a distribuir por entre aqueles de que se mais gosta. ainda sei pouco da vida. da minha, sei o necessário e o que interessa. quanto ao resto, larguei ao vento. todavia, entre tratados e memorandos há que saber mudar. há que saber também saber. pular. sapatear. dançar.correr... ( ou parar). viver. assim, hoje apetece-me... deixacáver... nadar.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
acontece
quarta-feira, 20 de maio de 2009
fui à tua procura
terça-feira, 19 de maio de 2009
um cigarro
ninguém tem
um cigarro?
um copo de vinho
um amor perdido
uma causa iludida
uma angústia a mais?
alguém quer trocar
de veias
de sangue
de coração
de pulmões?
um cigarro
ao menos
ninguém tem
um cigarro?
Carlos Alberto Machado
in A Realidade Inclinada. Averno. 2003
segunda-feira, 18 de maio de 2009
paro numa esplanada
sem palavras.
sábado, 16 de maio de 2009
um vídeo que fale por ti
este fim-de-semana, embora me apeteça... não danço. nem dançarei. estou com trabalho e isto para além de ser tramado é, indo directa ao assunto, fodido. existem umas rendinhas que inventam à última da hora só para ficar bonito e coisa e tal e uma gaja, aqui moi, é que se lixa. raios parta para os adeptos do "crochet"! mais uma vez, um viva ao jazz ou a tudo a que a ele se aproxime.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
pensar III
-a e fica naturalmente contente de sabê-la e de julgar que nenhuma outra a vai render. Mas depois esquece. Arruma-se então na estante das verdades como um sepulcro. De longe em longe há quem a visite para pasmar de ter existido ou olhar mesmo com simpatia tolerante como se olha uma fotografia velha e se pergunta - de quem será? E se acontece, por capricho de morte, que nem esquece nem se arruma, é porque ainda serve para se matar gente ou morrer em nome dela. É a altura de outros virem e pasmarem por se ter morrido pelo que não existe, que é aquilo, aliás, por que mais se morre. Não morras. Olha apenas e espera. Há tanta sabedoria no olhar. Não se mata nem se morre pela sabedoria. podem é matar-te os outros que não a têm. Sê simplicidade de existir. E terás existido tudo o que vale a pena para seres humano. Porque só se existe pela vida que está em ti e nos outros e na luz e na verdade profunda da Terra.
Vergílio Ferreira.
in pensar. Bertrand Editora. 1993
sábado, 9 de maio de 2009
um vídeo que fale por ti
há alturas em que a vida corroi-nos; deixa-nos nem que seja por instantes no instante que somos. aqui, neste mundo. apetece-me chorar. lavar a alma e depois ficar. calma. na quietude comigo, com as minhas reflexões.
não é fragilidade. são momentos necessários. do dever expresso em sentimentos. da existência.
One day I met a precious soul
Whose words had touched my heart
His poetry resounded so
It tore my soul apart
But when I tried my thoughts to speak
Emotion made my mind so weak
And time stood still for years and years
I bathed him in my tears
I cried, I cried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again
Some people turn to pills and things
To help them through the day
To take them up or down or just
To ease the blues away
But me I really want to feel
The ups and downs of life so real
Happy or sad emotions reign
My tears flow just the same
...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
vou-me
escrevi.
domingo, 3 de maio de 2009
desculpa-me a ternura
não força de trabalho desigual
nem vida à pressa,
mas minha amiga.
Talvez as palavras que te digo
me transpareçam classe,
talvez nem te devesse dizer nada.
Porque és a mão que ampara o meu silêncio,
a minha filha, o meu cansaço
— à custa do teu cansaço, da tua filha,
do teu silêncio.
Não há homens-a-dias neste mundo,
mas tantas como tu,
a segurar nas mãos e no sorriso
algumas como eu.
Entraste há pouco a perguntar
se eu tinha febre
— a louça por lavar nas tuas mãos,
aspirando o cansaço dos meus ombros,
nos teus ombros o cansaço de mim
e o cansaço de ti.
Desculpa os meus silêncios,
o falar-me contigo como com mais ninguém,
desculpa o tom sem pressa
— e o meu dinheiro que não chega a nada,
comprando o teu trabalho
(o teu sorriso)
Ana Luísa Amaral
in Às Vezes o Paraíso. Quetzal Editores. 1998.
[à minha mãe, a melhor. pela força e pela energia com que vive. obrigada mãe.]
sábado, 2 de maio de 2009
aqui diz-se
um vídeo que fale por ti
apetece-me sonhar. talvez um dia tudo seja diferente. sem indiferença pelo oprimido, o excluído, o descriminado, o explorado, o precário, o abandonado. no estado comum de sobrevivência é mais do que nunca, hoje, fulcral falar sobre o dia do trabalhador. valorizar quem trabalha e quem procura. não esquecer que a sociedade, embora complexa, define-se pelo grau de participação que os que dela fazem parte possuem. uma sociedade que não tem alternativas para os que exclui é uma sociedade doente. incluir deverá ser um direito e um dever a suportar por qualquer sociedade democrática. apeteceu-me... sonhar.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
A presença mais pura
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»
A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»
José Tolentino Mendonça
in A Que Distância Deixaste o Coração. Assírio & Alvim. 1998.
domingo, 26 de abril de 2009
acontece
sexta-feira, 24 de abril de 2009
um vídeo que fale por ti
apetece-me ir à manifestação comemorativa dos 35 anos do 25 de Abril; a iniciar-se pelas 15h30m no marquês de pombal e a finalizar no rossio. apetece-me e vou.
liberdades
terça-feira, 21 de abril de 2009
cada vez
quinta-feira, 16 de abril de 2009
um vídeo que fale por ti
sexta-feira à porta e tempo de descarregar (ou carregar) o stress, as angústias ou, simplesmente, aquecer com vários passos de dança contra o frio que se fez sentir. como gosto de ver dançar a shakira, apetece-me imitá-la, com vários movimentos de corpo; talvez emagreça. e assim preparo a minha entrada no fim-de-semana. na tentativa de um sorriso.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Joelho
demorado
no topo do teu joelho
Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio
Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo
Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo
Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo
E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento
Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas
Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.
Maria Teresa Horta
sábado, 11 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
minha companheira de estrada
aqui faço a minha homenagem à cantora que mais me acompanhou. sempre gostei muito dela; ela também de moi, só que não sabe (que sou sua fã). é bom vê-la a cantar para mim... "tutututu i just sing for you". apetece-me oferecer-lhe um ramo de malmequeres por todas as músicas produzidas "across the lines"; "crossroads"...
quarta-feira, 8 de abril de 2009
sem título
------correr
---------por entre montes
-----------------------e planaltos.
------subir escadas
----------descer ruas
------------sentir-me cansada
--------------------------suar, ofegar.
e depois...
-------levemente
-------------parar.
-------------pensar.
---------------no que fiz.
---------------por onde andei.
---------------nos lugares que percorri.
---------------e dos amigos que conheci,
---------------------aqueles a quem timidamente me dei,
-----------------------------quantos perdi?
-------------------------------------quantos deixei?
segunda-feira, 6 de abril de 2009
um vídeo que fale por ti
When I'm ridin' round the world
and I'm doin' this and I'm signing that
and I'm tryin' to make some girl
who tells me baby better come back later next week
'cause you see I'm on losing streak.
I can't get no, oh no no no.
Hey hey hey, that's what I say.
I can't get no, I can't get no,
I can't get no satisfaction,
no satisfaction, no satisfaction, no satisfaction.
hoje não me apetece ouvir nem rádio nem tv. vou sair de casa. mais uma vez, não sentir a satisfação de viajar de comboio. mas caminhar longas distâncias e talvez meter-me no carro. simplesmente, deixar-me ir.
domingo, 5 de abril de 2009
eu mudo. tu mudas. nós mudamos. eles mudam?
sexta-feira, 3 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
manifestar
Tu manifestas [-te]
Ele/Ela manifesta [-se]
Nós manifestamos [-nos]
Vós manifestais [-vos]
Eles/Elas manifestam [-se]
a aprendizagem do verbo manifestar decorreu nos bancos de escola, se bem se lembram. mas este, sem sufixos, revela o acto de manifesto como uma forma de expressão ligeira de alguma coisa, não a manifestação pública. como em portugal se quer - ligeirinho e educadinho. na prática, tais actos ou participação nos mesmos requerem algum recato, educação e ordem; de preferência, tudo na forma enformada de um país demasiado conservador e que faz cara feia a quase todo o tipo reivindicação ou livre expressão de opinião. agora, com a vossa licença vou retirar-me para gritar contra a globalização. obrigadinha pela atenção. fiquem em paz e abençoad@s.
terça-feira, 31 de março de 2009
Poética
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo
namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação
Manuel Bandeira
segunda-feira, 30 de março de 2009
um vídeo que fale por ti
apetece-me dedicar este vídeo a alguém que eu cá sei. pronto, já está feita a dedicação. agora, quem quiser dedicar-se a ouvi-lo com atenção, faça favor. o poema merece - é lindo!
sábado, 28 de março de 2009
o sopro
bom fim de semana
chegou ao fim uma semana que parecia interminável. não fui infelizmente para a europa central mas trabalhei que me fartei. fartei-me mesmo. por agora, desejo a tod@s que por aqui passam um excelente fim de semana. garanto-vos que vou fazer por isso.
sexta-feira, 27 de março de 2009
dia mundial do teatro
quarta-feira, 25 de março de 2009
um vídeo que fale por ti
numa semana cheia de trabalho, apetecia-me deixar o "novelo" com uma série de nós a apresentar impeterivelmente até sexta-feira e partir de comboio em direcção à europa central. não sei por quê... mas tenho a certeza de que melhoraria bastante o meu estado de espírito. às vezes já não há pachorra! o jazz, que adoro, de vez em quando ou de quando em vez lá me vai salvando...
segunda-feira, 23 de março de 2009
papa do papa
quinta-feira, 19 de março de 2009
um vídeo que fale por ti
tenho de (devo) dedicar-me ao lar. mas não me apetece. há momentos em que só quero sair porta fora e deixar-me exposta a ilimitadas possibilidades, com boa companhia. a época do lar já deu o que tinha a dar. e há sempre um mundo por descobrir, mesmo que só deseje conhecer parte dele. há sempre algo para fazer.
quarta-feira, 18 de março de 2009
desabafo
domingo, 15 de março de 2009
uma imagem que fale por ti
quinta-feira, 12 de março de 2009
meia dúzia de olhares
o teu cabelo
domingo, 8 de março de 2009
um vídeo que fale por ti
hoje aproximei-me das ondulações marítimas. no dia da gaja não havia presente melhor. um viva a todas e gajas deste planeta! as que cá estão e as, muitas, que lutaram para eu ter os direitos que possuo. apetece-me fazer um brinde com o copo cheio de vinho tinto frutado. tchim tchim
sábado, 7 de março de 2009
Eu sei, mas não devia
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e
a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que
pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata
dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada,
a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor
aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente sentada na primeira fila e torce um pouco o
pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do
corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que
gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Marina Colasanti
quarta-feira, 4 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
sem título
Ana Teresa Silva in Dizer-te
palavras com conto (inacabado)
esticas-te, suspendes o teu corpo sobre a minha mão, com um copo e respondes-me ao ouvido que nada, nada de interessante se consegue fazer naquelas festas sociais de plumas e pichebeque lavado em ouro. seguro-te a mão. puxo-te de encontro aos jardins daquela mansão impetuosa para nos encontrarmos no tempo perdido entre lágrimas e golpes de pernas, ou o inverso...
domingo, 1 de março de 2009
um vídeo que fale por ti
os meus passos lentos, a que querem obrigar maior rapidez, fluidez, agilidade, não passam de passos sem compasso. no silêncio. tropeço. na rotina dos dias. prossigo. até um começo... incompleto.
apetece-me ir ver o mar.
palavras cénicas (do absurdo)
SR. MARTIN – Desculpe, minha senhora, mas parece-me, se não estou enganado, que a conheço de algum lugar.
SRA. MARTIN – Eu também, meu senhor, parece que o conheço de algum lugar.
SR. MARTIN – Por acaso, minha senhora, eu não a teria visto em Manchester?
SRA. MARTIN – É bem possível. Eu sou da cidade de Manchester! Mas não me lembro muito bem, meu senhor, eu não poderia dizer se o vi ou não!
SR. MARTIN – Meu Deus, que curioso! Eu também sou da cidade de Manchester, minha senhora!
SRA. MARTIN – Que curioso!
SR. MARTIN – Que curioso! … Só que eu, minha senhora, saí de Manchester há mais ou menos cinco semanas!
SRA. MARTIN – Que curioso! Que estranha coincidência! Eu também, meu senhor, saí da cidade de Manchester há mais ou menos cinco semanas.
SR. MARTIN – Peguei o comboio das 8 e meia da manhã, que chega em Londres às 15 para as 5, minha senhora.
SRA. MARTIN – Que curioso! Que estranho! E que coincidência! Eu também peguei o mesmo comboio, meu senhor.
SR. MARTIN – Meu Deus, que curioso! Então, minha senhora, talvez eu a tenha visto no comboio?
SRA. MARTIN – É bem possível, pode ser, é plausível, e, afinal, por que não!… Mas eu não me lembro disso, meu senhor!
SR. MARTIN – Eu estava a viajar em segunda classe, minha senhora. Não existe segunda classe na Inglaterra, mas assim mesmo eu viajo de segunda classe.
SRA. MARTIN – Que estranho, que curioso, e que coincidência! Também eu, meu senhor, estava a viajar em segunda classe!
SR. MARTIN – Que curioso! Talvez nos tenhamos encontrado na segunda classe, minha cara senhora!
SRA. MARTIN – É bem possível, pode ser. Mas eu não me lembro muito bem, meu caro senhor!
SR. MARTIN – Meu lugar era no vagão número 8, 6o. compartimento, minha senhora!
SRA. MARTIN – Que curioso! Meu lugar também era no vagão número 8, 6o. compartimento, meu caro senhor!
SR. MARTIN – Que curioso e que estranha coincidência! Talvez nos tenhamos encontrado no 6o. compartimento, minha cara senhora?
SRA. MARTIN – É bem possível, afinal! Mas eu não me lembro, meu caro senhor!
SR. MARTIN – Para falar a verdade, minha cara senhora, eu também não me lembro, mas é possível que nos tenhamos visto lá, e, pensando bem, a coisa parece-me bem possível!
SRA. MARTIN – Oh! Realmente, é claro, realmente, meu senhor!
SR. MARTIN – Que curioso!… Meu lugar era o número 3, perto da janela, minha cara senhora.
SRA. MARTIN – Oh, meu Deus, que curioso e que estranho, meu lugar era o numero 6, perto da janela, em frente ao senhor, meu caro senhor.
SR. MARTIN – Oh, meu Deus, que curioso e que coincidência!… Nós estávamos então frente a frente, minha cara senhora! É aí que devemos ter-nos visto!
SRA. MARTIN – Que curioso! É possível mas eu não me lembro, meu senhor.
SR. MARTIN – Para falar a verdade, minha cara senhora, eu também não me lembro. Contudo, é bem possível que nos tenhamos visto naquela ocasião.
SRA. MARTIN – É verdade, mas eu não estou muito certa disso, meu senhor.
SR. MARTIN – Mas não foi a senhora, minha cara senhora, a senhora pediu-me para pôr sua maleta no bagageiro e que em seguida agradeceu-me e deu-me permissão para fumar?
SRA. MARTIN – É sim, devia ser eu, meu senhor! Que curioso, que curioso, e que coincidência!
SR. MARTIN – Que curioso, que estranho, que coincidência! Muito bem, e então, então talvez nos tenhamos conhecido naquele momento, minha senhora?
SRA. MARTIN – Que curioso e que coincidência! É bem possível, meu caro senhor! Contudo, acho que não me lembro.
SR. MARTIN – Eu também não, minha senhora.
Eugene Ionesco in A Cantora Careca.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
roda vida
José Saramago. in A viagem do elefante.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
uma imagem que fale por ti
domingo, 22 de fevereiro de 2009
área vocabular de carnaval
serpentinas
papelinhos
fatos
enfeitos
folia
alegria
corsos
água
entrudo
crítica
desfiles
alegórico
samba
música
veneza
bailes
controverso
três
tudo
[ou nada, para mim]
...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
uma imagem que fale por ti
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
pensar II
Tudo isto está certo. E tudo isto está errado. Porquê? Porque sim. Não sei."
Vergílio Ferreira in Pensar
factos
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Um vídeo que fale por ti
When Im with you baby, I go out of my head
And I just cant get enough, I just cant get enough
All the things you do to me and everything you said
And I just cant get enough, I just cant get enough
[apetece-me fazer uma coisa que gosto muito, muito...tutututaruraru...]
pensar
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Amar
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
palavras perdidas
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
sem título
Lá estava ela perdida no espaço.
A recuar, a avançar, a recuar, a
avançar. A inventar palavras, a
desculpar palavras.
À procura de saídas, à procura de.
À espera de poder correr entre as marés,
à espera de avançar solta pelas
nuvens, à espera de ser feliz.
E lá estava ela. Presente ou ausente.
Como se ambas fossem uma só. Ou não
houvesse espaço nem tempo que pudesse
derrubar as certezas quando guardadas
cá dentro.
Eu aqui me encontro. Querendo saber
navegar em marés turbulentas sem que o
corpo dê sinais de mal-estar. Mas não
sou peixe na água. Nem marinheiro de
tempestades. E ainda não me adaptei à
vida.
Tu aqui me encontrarás. Certezas,
guardo-as cá dentro. Para que o tempo
da ausência não as leve com ele. Certezas,
sim, de nós. Da nossa
amizade.
Ana Teresa Silva in dizer-te
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
chego
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
uma imagem que fale por ti
Tu tens um medo
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
domingo, 8 de fevereiro de 2009
descrição ou o inverso
duas senhoras sentam-se ao meu lado (sempre gostei de ouvir histórias) com quase sessenta anos cada, mas só uma constrói frases sobre os seus próprios pés. uns pés que são diferentes dos outros, outros entende-se nossos, humanos. para os pés diferentes já comprou utensílios, cremes, mezinhas… atira-os para a frente, aponta e por breves momentos penso que irá descalçar-se. saem.
continuo a minha leitura até ao saldanha. já não chove. vou até à bilheteira adquirir em troca de uma quantia monetária um papel ranhoso que permitirá o meu acesso à sala 1. olho para o relógio. tenho ainda 20 minutos. tomo um chá, entro numa livraria que requer a minha promessa de não comprar nada e na casa de banho, em espera, duas mulheres conversam sobre a necessidade de introspecção que têm sentido nos últimos meses. compreendo-as...
entro na sala de cinema, para minha admiração, cheia. alguns idosos. vejo estreias e antestreias e delicio-me com o filme milk, de Gus Van Sant, em particular com a excelente interpretação de Sean Penn – magnífico.
regresso de metro, e refeita de convicções e de convictos. afinal, vale a pena ter esperança.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Lisa Ekdahl - "vem vet"
o refrão diz qualquer coisa como 'quem sabe'. sei que não sei muito de sueco... mas que um fim-de-semana bem aproveitado até ao limite vale mais do que muita coisa desinteressante que fazemos durante um ano. por isso, bom fim-de-semana aos que por aqui passam ou param.
pregão: a lisa é linnnnnnddddddaaaa e canta bem.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
a terra
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
solitária
esta vontade de estar. comigo. não é recente. sempre fui assim, principalmente nesta estação do ano. por vezes mal compreendida, outras ainda, confundida entre solitária e o desejo de solidão. todavia, solitária não é sinónimo de solidão…garanto que solitário não é necessariamente algo só, sozinho, desacompanhado, deserto, ermo, ou desabitado, numa pesquisa rápida que fiz. gosto de estar só mas isso não significa que sinta solidão ou que não goste de comunicar com os outros… significa, no meu caso, que saio menos, que leio mais, que reflicto e penso mais, que tenho menos pachorra para coisas banais… significa que tenho mais tempo. para mim. afinal, também mereço!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
ideia
palavras ordenadas
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
partiu há 25 anos
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?-
-Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Ary dos Santos
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
texto alterado
interesses
desabafo
Venham mais cinco
Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar
Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar
Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X
Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...
Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X
A gente ajuda, havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo
O que eu levantei
A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe
Não me obriguem a vir para a ruaGritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar
Bem me diziam, bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra, quem trepa
No coqueiro é o rei
A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe
Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar
Zeca Afonso
sábado, 17 de janeiro de 2009
fiquei em casa
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Katie Melua - Nine Million Bicycles
de vez em quando ou de quando em vez encontro-me com a Katie. e ela deve gostar.
encontramo-nos todos os sábados
exercício
cautela com os amores. pensem duas vezes em casar com um (a) _________, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de__________ que nem __________sabe onde é que acabam.
cardeal-patriarca josé policarpo (adaptado)
resoluções possíveis:
1. cautela com os amores. pensem duas vezes em casar com uma lésbica, pensem muito seriamente, é meterem-se num monte de pecados que nem Deus sabe onde é que acabam.
2. cautela com os amores, pensem duas vezes em casar com um português, pensem muito seriamente, é meterem-se num monte de maus tratos que nem a sua mãe sabe onde é que acabam.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
palavras decentes
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luiz Vaz de Camões
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
palavras ordiná ri as
com versa
saí satisfeita e acho que ela também. dialogar com as pessoas sobre sentimentos é algo que hoje escasseia. parece ser bem mais interessante discursar sobre o lucro, o sucesso, o emprego, o dinheiro… ou o seu contrário; compreende-se dada a conjuntura actual, mas por isso mesmo, torna-se assim tão ou mais urgente falar de amor, partilha e solidariedade – qualidades que ainda quero acreditar existem no ser humano.
amar, partilhar e ser solidário actualmente não é tarefa fácil tal como, actualmente é sobreviver. mas não nos podemos esquecer que é devido a estes sentimentos que muitas vezes corremos, pensamos, agimos, aquecemos… preservar o amor numa relação, por exemplo, requer tempo. é um trabalho árduo, quase minucioso, a exigir muita ginástica em vários domínios. e isso não é fácil. é muito moroso e há quem não tenha paciência para tanto, infelizmente. são os instantes que ditam.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Conta-me
Do teu vestido verde
Seda pura
Corte liso
Conta-me
Do que é preciso
Para que vistas luar
E sombra
Pele e luz.
Edgardo Xavier
in Amor Despenteado
Waltz with Bashir | Ari Folman | Official Trailer #1 [HD Quality]
um acaso. do caso da memória. de guerra. em guerra... que este filme de animação revela. também a memória como um "mundo rico e fascinante".
memória
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
não me lembro
não me lembro de pensar tantas vezes no frio que estava.
não me lembro de ver registado 1ºC em lisboa.
não me lembro de dizer que sou friorenta tantas vezes num dia.
não me lembro de ouvir tantas vezes num dia ai, está tanto frio...
não me lembro de falar tantas vezes, ai isto não se aguenta.
não me lembro de um dia assim em lisboa.
não me lembro.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
simples
e os projectos?
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
só
domingo, 4 de janeiro de 2009
basta-me permanecer no seu regaço
aí ser enterrada
dissolver-me e aí reduzir-me a nada
ressuscitar erva em sua terra
ressuscitar flor
que uma criança crescida em meu país arrancará
basta-me estar no regaço de minha pátria.
terra........
...................erva.....................
......................................flor
Fadwa Tuqan
não me canso de falar
mulheres e as árvores,
sobre a magia da terra, sobre um país cujo carimbo não
encontrei em nenhum passaporte.
Pergunto: Senhoras e senhores de bom coração, a terra
dos homens é, como vós afirmais, de todos os homens?
Onde está então o meu casebre? Onde estou eu? A
assembleia aplaudiu-me
durante três minutos, três minutos de liberdade e de
reconhecimento... A assembleia acaba de aprovar
o nosso direito ao regresso, como o de todas as galinhas e
todos os cavalos, a um sonho de pedra.
Aperto-lhes a mão, um a um, depois faço uma saudação,
inclinando-me... e continuo a viagem
para outro país, onde falarei sobre a diferença entre
miragens e chuva.E perguntarei: Senhoras e senhores de bom coração, a
terra dos homens é
de todos os homens?
Mahmud Darwich
sábado, 3 de janeiro de 2009
falam os actos
palavras indiferentes
[isto para ti não tem qualquer valor]
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
uma pérola
Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
in A Casa e o Cheiro dos Livros
