terça-feira, 29 de dezembro de 2009

i gotta feeling

i gotta feeling that 2010 gonna be a good good year. that 2010 gonna be a good good year. i gotta a feeling.
um ano cheio de momentos agradáveis são os meus votos para quem aqui passa.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ary

não esqueço o grande poeta Ary dos Santos. aqui recordei-o com um dos poemas que mais gosto. ler as suas palavras são como pão para a boca, matam-nos a fome em tempos de pobreza.

ao meu gato

o meu gato, alfredo,
tem um boato:
-é um gato que mete medo.

mas, alfredo não mete medo a ninguém!
poderão constestar, dizer que não é assim...

mas com ele vivo e dele sei dizer:
- é o gato mais simpático
e do melhor que o mundo pode ter.

porquê?

porque é o meu, o gato. o alfredo.

domingo, 1 de novembro de 2009

desejos

boa semana!

A nossa tentação de florir

Figueira
ó árvore que irrompes da tua secura
suportando o penoso desdobrar de teus ramos
amaldiçoada
ofereces ainda a doçura de teus frutos
a sombra de tuas folhas
a firmeza do teu apego à terra

Ó dura bruta forma
heroína da escassez
ó teimosa
que insistes e insistes
e nos ensinas
que a vida é feita de incessantes mortes
e que a nós
suas futuras vítimas
nos aguarda
a todo o momento
a derrocada do templo
sem nenhum outro fruto
além da amargura

Ó doçura
porque amargas tanto
a nossa tentação de florir
ao mesmo tempo sendo tudo
---------------------------------e nada ?

Ana Hatherly
in Rilkeana. Assírio & Alvim. 1999.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

zombie

apetecia-me, por vezes, no meu local de trabalho ter a possibilidade de emitir uns grunhidos, como um zombie para meter medo, muito medo... a umas pessoas que mortinhas por dentro, não conseguem ver mais do que a realidade que lhes é dada, ou transmitida. enquanto tal vontade não passa disso mesmo, fica aqui a informação de que no dia 31 de outubro, na cidade de belém, no brasil, vai realizar-se mais um encontro zombie walk. os participantes, vestidos de forma adequada, caminham e emitem sons pelas ruas da cidade. a primeira vez que ocorreu tal evento foi em 2003, no canadá. para quando em portugal?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

words

Be careful of words,
even the miraculous ones.
For the miraculous we do our best,
sometimes they swarm like insects
and leave not a sting but a kiss.
They can be as good as fingers.
They can be as trusty as the rock
you stick your bottom on.
But they can be both daisies and bruises.

Yet I am in love with words.
They are doves falling out of the ceiling.
They are six holy oranges sitting in my lap.
They are the trees, the legs of summer,
and the sun, its passionate face.

Yet often they fail me.
I have so much I want to say,
so many stories, images, proverbs, etc.
But the words aren't good enough,
the wrong ones kiss me.
Sometimes I fly like an eagle
but with the wings of a wren.

But I try to take care
and be gentle to them.
Words and eggs must be handled with care.
Once broken they are impossible
things to repair.

Anne Sexton

domingo, 25 de outubro de 2009

um vídeo que fale por ti

I'm so tired, of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play
For I've been a temptress too long

Just. .

Give me a reason to love you
Give me a reason to be ee, a woman
I just wanna be a woman

From this time, unchained
We're all looking at a different picture
Thru this new frame of mind
A thousand flowers could bloom
Move over, and give us some room

Give me a reason to love you
Give me a reason to be ee, a woman
I just wanna be a woman...

boa semana! de preferência comigo, cc ;)

chuva

os dias começam a ficar cada vez mais cinzentos, com chuva que os atravessa vinda dos céus, das nuvens; caem gotas, muitas e poucas rebolaram sobre os meus cabelos, desceram no vidro do meu carro, saltaram para os meus sapatos e calças, todas juntas. entre fronteiras reconhecíveis relembro sempre com nostalgia o tempo em que o sol conseguia fazer-me uma sombra; uma companhia permanente, embora escura, num sorriso, à beira mar. não gosto do frio, nem do inverno que está logo ali a seguir. mas gosto da chuva, em especial aquela que molha parvos. e ai que parvos somos todos…

outro tempo tem faltado, ou vontade, de aparecer aqui para escrever sobre a chuva de ideias que tem inundado este país, por causa de situações tolas, de afirmações tolas. e os parvos, como eu, deixam-se, por vezes, também, levar na enxurrada e cair como tordos, de cabeça, no mar de opiniões que descem pelas ruas, a maioria em direcção ao esgoto; algo a que não estamos imunes, quando revelamos o como não gostamos de indiferença. poderia escrever sobre as eleições mas já não é tempo. poderia falar sobre o prémio nobel da paz entregue a obama, antes do tempo. poderia aqui escrever sobre o vídeo da maitê mas está, por si, fora de tempo, sem assunto. poderei escrever sobre as afirmações de saramago mas deus ainda não me deu tempo para ler o livro caim e o que conheço da bíblia leva-me a definir o seu pensamento como primário. poderei escrever sobre a remodelação do governo que a liberdade de expressão me permite considerar como uma grande merda, mesmo sem os dignos ministros terem actuado, pois existe uma conjuntura e, mais do que isso, o conteúdo de um programa, para o qual não há caras que o valham nem tempo para modificar o quer que seja.
agora, após o pouco que escrevi, digam lá que não mereço ser portuguesa ou que não me querem em portugal ou caso vá para fora, não me deixam entrar no país em que nasci que de imediato desejo-vos um balde de água pela cabeça abaixo, só para refrescar ideias… ainda vivo num país livre e democrático, e o tempo dos feudos já era.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

um vídeo que fale por ti

vejam as diferenças, ou semelhanças. passado algum tempo teremos mudado assim tanto? nas atitudes? nos valores? essencialmente no vestuário, dirão alguns. a essência humana será sempre a mesma, mais ou menos engarrafada por e em regimes políticos. por enquanto, continuo a dizer ' viva a república' com ou sem presidente. quanto à música... essa continua a mudar por aqui.

domingo, 13 de setembro de 2009

estou de regresso com o pé, com a mão e tudo o resto

o trabalho já me consome os dias, caracterizados também por coleccionismo de energia essencial nesta fase de arranque. aqui fica uma cantora que revela um verdadeiro amor ao trabalho. talvez qualquer dia consiga chegar ao nível dela. mas duvido... o meu amor é outro.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

uma imagem que fale por ti

yes! iupi! aqui vou eu...

contigo,

na distância a que te quiseste colocar

do meu coração,

muito próximo.

sábado, 25 de julho de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

um vídeo que fale por ti

ontem fui vê-la e ouvi-la numa noite com muito para recordar. estava linda com um vestido vermelho e um chapéu (ai o que eu adoro chapéus!). cantou de maneira deliciosa, a convencer qualquer coração desprevenido. adorei.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

aconteceu

o homem pisou a lua há 40 anos. por mais que eu explique à minha avó, ela continua a afirmar que "isso é uma invenção". claro que não posso mostar-lhe este vídeo, lá iam os meus argumentos pelo cano abaixo. mas pelos vistos há mais com a opinião dela. vamos lá entender isto...

domingo, 19 de julho de 2009

o deus da matança

era uma vez um miúdo que agride outro na escola e parte-lhe dois dentes. os pais de ambas as crianças decidem reunir-se. inicialmente conseguem estabelecer um diálogo cordial e quase amigável, mas tudo cai numa enorme discussão, violenta, entre as quatro personagens presentes em palco. esta peça da francesa Yasmina Reza, e encenada por João Loureço encontra-se no teatro aberto. gostei muito e aconselho.

Yasmina Reza, autora de várias peças de teatro de sucesso como Arte, retrata aqui o ser humano como um ser por natureza violento, colocando em causa os aclamados avanços civilizacionais. como refere numa entrevista presente no catálogo da peça:

- Não acho que o ser humano seja pacífico. Penso que não se evoluiu desde a idade da pedra e que o verniz social que nos protege da selvajaria é inquietantemente ténue, está sempre prestes a estalar. Ponha quatro pessoas dentro de um elevador que se avaria de repente e elas ficam doidas. Basta haver pânico e toda a gente se espezinha. Observe as crianças a brincar na areia: não têm alternativa, batem umas nas outras para ficarem com um objecto na mão. Eu escrevo um teatro de nervos, porque são os nervos que nos comandam. As personagens que componho desde sempre são pessoas bem-educadas que pretendem manter a compostura. Mas como também são muito impulsivas, não conseguem manter as regras que impuseram a si próprias. Vão derrapar, mas sempre contra a sua vontade, mesmo quando estão em plena derrapagem. É precisamente esta luta da pessoa contra si própria que me interessa.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

pim pam pum

em pouco menos de dois dias
fui em duas situações avaliada.
deram-me excelente
e um bom, bum.

pim pam pum

não entendo esta sociedade,
que tudo quer avaliar.
comemos tantas vezes gato por lebre,
e aceitam sem contestar.

pim pam pum

reclamam a excelência,
com a sua licença.
o empregado mediano vai para a rua
com elegante veemência.

pim pam pum

só admistradores e engenheiros
nunca são avaliados.
levam indemnizações chorudas,
enquanto o povo é separado.

pim pam pum

mais poderia falar,
mas daria confusões.
observo muita loucura
e assisto a discriminações.

pim pam pum

venham mais avaliações,
reflexos dos tempos que correm.
avalie-me sua excelência,
para por tudo na ordem...

pim pam pum

quinta-feira, 16 de julho de 2009

um vídeo que fale por ti

apetece-me informar a todos os que por aqui passam do que não tenho em forma de cocktail, ou seja, tudo ao molho e fé em deus, sem ordem que valha. assim, aqui vai...não tenho dinheiro para ir viajar para fora de portugal. não tenho roupa nova de verão. não tenho um pai que se preocupe com a minha existência. não tenho o ordenado que mereço ganhar. não tenho um autógrafo de obama. não tenho namorada. não tenho uma casa ao pé do mar. não tenho a casa arrumada. não tenho cães. não tenho uns quilos a menos. não tenho idade para ter juízo. não tenho moral. não tenho classe. não tenho jeito para fazer fretes. não tenho paciência para a arrogância e a hipocrisia. não tenho um biquini novo. não tenho tempo para muito do que eu realmente gostaria de fazer. não tenho nenhuma cerveja no frigorífico. não tenho comprado tantos livros como gostaria. não tenho muito. não tenho pouco. não tenho telefone fixo. não tenho pão em casa. não tenho o meu gato próximo de mim. não tenho em DVD todas as obras de Fellini. ah! não tenho gripe A. não tenho mais nada a dizer, por agora. não tenho. logo se vê numa próxima.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

palavras fundamentais

Faz com que a tua vida seja
sino que repique
ou sulco onde floresça e frutifique
a árvore luminosa da ideia.
Alça a tua voz sobre a voz sem nome
de todos demais, e faz com que ao lado
do poeta se veja o homem.

Enche o teu espírito de lume;
procura as eminências do cume
e, se o esteio nadoso do teu báculo
encontrar algum obstáculo ao teu inferno,
sacode a asa do atrevimento
perante o atrevimento do obstáculo.

Nicolás Guillén
in Antologia Poética. Campo das Letras. 1995

sexta-feira, 3 de julho de 2009

acontece

por agora há muitos e bons acontecimentos a ocorrer pela cidade. aqui vai mais uma sugestão. no cinema king, desde 2 de julho a 2 de setembro, estão presentes os melhores filmes estreados entre junho'08 e junho '09. para quem não viu alguns deles, como eu, é uma boa oportunidade para sair de casa. o preço também é apelativo - 3,50€. o ar condicionado tem dias...

terça-feira, 30 de junho de 2009

um vídeo que fale por ti

fui ouvir este grande senhor na culturgest em janeiro e fiquei sua admiradora. na sala ecoaram entre as músicas vozes de viva a causa palestiniana, dadas as notícias que tinham surgido uns dias antes sobre os ataques militares protagonizados pelo governo israelita. Ibáñez, seguro a uma simples guitarra tem feito de muitos poemas que falam de liberdade, de exílio, de luta... canções deliciosas e poderosas. para Vasquez Montalbán, Ibáñez pratica constantemente a provocação cultural, a crítica dura e directa contra os inimigos sucessivos da emancipação individual e social. hoje apetece-me recordá-lo.

domingo, 28 de junho de 2009

desabafo

afirmo aqui que a morte do suposto rei da pop não me é totalmente indiferente mas quase é. ou seja, quero lá saber se o homem morreu assim, assado ou mesmo cozido. quero lá saber se tomava medicamentos ou não. ou se sempre isto ou aquilo. se alguém nos próximos cinco minutos disser qualquer coisa como mai.... juro que lhe atiro com a primeira coisa que tiver à mão. não há pachorra! fico mais preocupada com as condições de sobrevivência e com as mortes bárbaras a que são submetidas muitas mulheres neste admirável mundo do que com a morte de uma pessoa que nem musicalmente fez parte dos meus discos pedidos. reconheço-lhe valor numa determinada área. mas tenham dó!!!! o mundo não é só isto.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

uma imagem que fale por ti


P. J. Harvey

estou preparadíssima para as férias. faltam 26 dias úteis.

sábado, 20 de junho de 2009

acontece


mais informações aqui

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pequenas coisas

Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.

Albano Martins
in Escrito a vermelho.Campo das Letras.1999

quinta-feira, 18 de junho de 2009

o verão está cá

o verão chegou, mas ainda não está cá. porque dizem os entendidos que tudo deverá ser marcado com data e cerimónia. assim, está um calor que não se aguenta mas... ainda não estamos no verão. dizem que já parece...- não gosto da palavra parece. a experiência já me ensinou que as aparências iludem e o tempo tem demonstrado, todavia, contra as evidências não há argumentos. o verão está aí. bora lá preparar os acessórios para a praia e remover definitivamente as camisolas do roupeiro. e ser radical, porque não? hoje já fiz canoagem, escalada e dei uns mergulhos no mar calmo às 5 da tarde. só não me atirei de uma ponte agarrada a um elástico porque... tive medo, confesso. não há dias perfeitos.

sábado, 13 de junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

digo asneiras

as pessoas vagueiam nas suas vidinhas como se fosse o único motivo de interesse neste mundo. não têm pachorra para ouvir, partilhar nem emitir uma boa risada a uma piada foleira. andam demasiado viradas para dentro, como morcegos que, em alguns casos, se deixam voar à noite transfigurados. estas pessoas, aborrecem-me. com um copo de vinho na mão e um cigarro na outra, observo-as, algumas. e também eu não tenho palavras perante discursos tão imponentes do eu - eu fiz, eu sou, eu e mais eu. e eu estou aqui para ser feliz – que slogan mais patético que propagandearam às pessoas nos últimos anos. sobre este aspecto, concordo que devemos procurar a nossa felicidade e isso implica em primeiro lugar rodearmo-nos de pessoas e locais que nos façam sentir bem, provoquem uma sensação de bem-estar. mas isso não é a minha concepção de felicidade. é bem-estar. felicidade, para mim, claro, é o estado supremo da nossa existência, é o tecto, o nosso céu, presente em breves instantes, por vezes segundos. se desfrutámos de uns cinco momentos de felicidade, ao longo da nossa existência, podemos dar-nos, sem dúvida, por felizardos.
a vida não é só cor-de-rosa como só preta. querer olhar para ela só de uma cor é levar-nos ao abismo, à desilusão, ao desespero, à depressão. assim, vamos lá por as coordenadas e os memorandos em acção e verificar que afinal todos nós temos momentos bons, assim-assim e menos bons. faz parte da vida - roxa, verde, amarela, azul, laranja, vermelha... e estamos aqui para sermos felizes, às vezes e infelizes, outras vezes, também. agora, não me atirem com a felicidade à cara, como quem come tremoços pois, começo a dizer asneiras!

terça-feira, 9 de junho de 2009

eu anuncio

um vídeo que fale por ti

apetece-me ouvir histórias. transportá-las. agarrá-las. cortar as palavras desnecessárias. e depois valer-me delas; das histórias. na vida. que se repete, muitas vezes em círculos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

lá vão. caracóis e carpas até um parlamento. tenham uma boa viagem.

domingo, 7 de junho de 2009

os caracóis e as carpas têm cornos

os caracóis e as carpas têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carpas e os caracóis não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracoias e os carpos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os carapoicos e os parcos não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carapaias e os porcos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracoicos e as parras não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carassaias e os parcas têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracorpos e as praias não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracaias e os poicos têm
vês

Ana Hatherly
in um calculador de improbabilidades. Quimera. 2001

quinta-feira, 4 de junho de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

eleições

no dia 7 de junho teremos eleições. tentarei mais uma vez e, como sempre faço, exercer o meu direito enquanto mulher e enquanto cidadã, por esta ordem. mas estas eleições às europeias, como muitos sabemos, serão também um teste ao governo que será confrontado provavelmente com percentagens a expressarem uma série de descontentamentos, presentes em vários quadrantes da sociedade. as coisas não estão fáceis - diz o povo. para mim como para qualquer ser humano que sobreviva também não e, no que se refere ao esclarecimento sobre o papel da europa neste momento de crise e em outros, o tratado de lisboa (?) e outros afins, a coisa tá preta. os cartazes também não ajudam, são pindéricos e contêm palavras que em nada envolvem a europa, sem conteúdo - dar tudo por portugal ou pelo interesse nacional eu assino por baixo. ora, se há coisa que este momento deveria servir seria para informar as pessoas sobre a importância da europa nas nossas vidinhas e como um eurodeputado actua em nome dos interesses nacionais/europeus. mas já se viu que essa freguesia não existe por aqui. pelo contrário, continuamos colocados na periferia bairrista entre os principais partidos políticos. sem assunto essencial. e eu ainda não sei em quem votar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

a direcção das palavras

Não quero escrever nada.

Não quero escrever.

N
ã
o

q
u
e
r
o
.

N
ã
o
.

domingo, 24 de maio de 2009

as palavras

São como um cristal,
as palavras
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Eugénio de Andrade

sábado, 23 de maio de 2009

um vídeo que fale por ti

vídeo

a vida não é linear. tem voltas e voltas, altos e baixos, alegrias e tristezas. faz tudo parte. não existem manuais, nem receitas. cada um, por si, vai construindo o seu próprio "livro" de vivências com umas dicas a distribuir por entre aqueles de que se mais gosta. ainda sei pouco da vida. da minha, sei o necessário e o que interessa. quanto ao resto, larguei ao vento. todavia, entre tratados e memorandos há que saber mudar. há que saber também saber. pular. sapatear. dançar.correr... ( ou parar). viver. assim, hoje apetece-me... deixacáver... nadar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

acontece


a 5ª edição do world press cartoon encontra-se no museu de arte moderna da cidade de sintra até 14 de junho. a entrada é livre. a não perder.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

fui à tua procura

entrei no teu quarto. deitei-me na cama e esperei por ti, como uma cadela que espera pela sua dona. que a cuide. que a mime. que lhe dê alimento; à alma - raios parta a alma, que treta esta que inventaram?! folheei todos os teus livros de cabeceira, li palavras rasgadas, conhecedoras, saborosas, poéticas, propositadas… todas as palavras que abraças à noite quando me ausento. olhei para o teu céu, branco, onde passeiam saltos altos. naquele momento senti; uma casa fria. tudo; gélido, como eu, sem o teu toque. as tuas mãos. sobre a minha pele. o calor do teu abraço nas minhas costas. levantei-me da tua cama, saí porta fora e fui à tua procura.

terça-feira, 19 de maio de 2009

um cigarro

Um cigarro
ninguém tem
um cigarro?
um copo de vinho
um amor perdido
uma causa iludida
uma angústia a mais?
alguém quer trocar
de veias
de sangue
de coração
de pulmões?
um cigarro
ao menos
ninguém tem
um cigarro?

Carlos Alberto Machado
in A Realidade Inclinada. Averno. 2003

segunda-feira, 18 de maio de 2009

paro numa esplanada

paro numa esplanada. pego na cadeira com as duas mãos, coloco-a contra mim e abro espaço. sento-me. coloco os braços sobre a mesa; sustêm a face na realidade que nunca se desliga. também do rio tejo. troncos suados correm sobre pernas de todas as idades. cabeças com penteados made in vento rodam entre a esquerda, a direita ou em frente; nunca se viram para trás. punhos cerrados batem sobre as mesas em redor. tabuleiros passeiam com uma mão e imperiais e copos vazios. vozes ecoam palavras banais. puxo a cadeira para trás. distancio-me da mesa. levanto-me em direcção à caixa. passo uma nota para uma outra mão. a outra mão dá-me moedas. saio.
sem palavras.

sábado, 16 de maio de 2009

um vídeo que fale por ti

este fim-de-semana, embora me apeteça... não danço. nem dançarei. estou com trabalho e isto para além de ser tramado é, indo directa ao assunto, fodido. existem umas rendinhas que inventam à última da hora só para ficar bonito e coisa e tal e uma gaja, aqui moi, é que se lixa. raios parta para os adeptos do "crochet"! mais uma vez, um viva ao jazz ou a tudo a que a ele se aproxime.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

pensar III

343 Não penses muito, para que pensar? Fatiga tanto. E não há verdade nenhuma adquirida de uma vez para sempre. A gente sabe-
-a e fica naturalmente contente de sabê-la e de julgar que nenhuma outra a vai render. Mas depois esquece. Arruma-se então na estante das verdades como um sepulcro. De longe em longe há quem a visite para pasmar de ter existido ou olhar mesmo com simpatia tolerante como se olha uma fotografia velha e se pergunta - de quem será? E se acontece, por capricho de morte, que nem esquece nem se arruma, é porque ainda serve para se matar gente ou morrer em nome dela. É a altura de outros virem e pasmarem por se ter morrido pelo que não existe, que é aquilo, aliás, por que mais se morre. Não morras. Olha apenas e espera. Há tanta sabedoria no olhar. Não se mata nem se morre pela sabedoria. podem é matar-te os outros que não a têm. Sê simplicidade de existir. E terás existido tudo o que vale a pena para seres humano. Porque só se existe pela vida que está em ti e nos outros e na luz e na verdade profunda da Terra.

Vergílio Ferreira.
in pensar. Bertrand Editora. 1993

sábado, 9 de maio de 2009

um vídeo que fale por ti

há alturas em que a vida corroi-nos; deixa-nos nem que seja por instantes no instante que somos. aqui, neste mundo. apetece-me chorar. lavar a alma e depois ficar. calma. na quietude comigo, com as minhas reflexões.
não é fragilidade. são momentos necessários. do dever expresso em sentimentos. da existência.

One day I met a precious soul
Whose words had touched my heart
His poetry resounded so
It tore my soul apart
But when I tried my thoughts to speak
Emotion made my mind so weak
And time stood still for years and years
I bathed him in my tears

I cried, I cried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again

Some people turn to pills and things
To help them through the day
To take them up or down or just
To ease the blues away
But me I really want to feel
The ups and downs of life so real
Happy or sad emotions reign
My tears flow just the same
...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

vou-me

não quero que digas – vou-me. não te deixarei partir, mesmo que forces a saída. se me beijares, colares a tua boca na minha face e as tuas mãos cobrirem-me por instantes como um cobertor cheio de pelos que se agarram à pele, então poderás; ir. deixar-me de vez, como aquela vez e outra vez; vais. levantar a âncora com a mesma pressa com que a lançaste de encontro ao meu porto; de abrigo. desatraca o teu navio cheio de objectos que disfarçam a tua penúria; material. e se quiseres enche-o dos livros que já li, dos discos que já ouvi, dos filmes que já vi. leva-os contigo, comigo dentro; do teu iate roto. depois, se fores ao fundo não digas que a culpa foi minha. afinal, os teus objectos valem mais do que os meus. para ti.
escrevi.

domingo, 3 de maio de 2009

desculpa-me a ternura

Enternece-me pensar que estás aí,
não força de trabalho desigual
nem vida à pressa,
mas minha amiga.

Talvez as palavras que te digo
me transpareçam classe,
talvez nem te devesse dizer nada.
Porque és a mão que ampara o meu silêncio,
a minha filha, o meu cansaço
— à custa do teu cansaço, da tua filha,
do teu silêncio.

Não há homens-a-dias neste mundo,
mas tantas como tu,
a segurar nas mãos e no sorriso
algumas como eu.

Entraste há pouco a perguntar
se eu tinha febre
— a louça por lavar nas tuas mãos,
aspirando o cansaço dos meus ombros,
nos teus ombros o cansaço de mim
e o cansaço de ti.


Desculpa os meus silêncios,
o falar-me contigo como com mais ninguém,
desculpa o tom sem pressa
— e o meu dinheiro que não chega a nada,
comprando o teu trabalho
(o teu sorriso)

Ana Luísa Amaral
in Às Vezes o Paraíso. Quetzal Editores. 1998.

[à minha mãe, a melhor. pela força e pela energia com que vive. obrigada mãe.]

sábado, 2 de maio de 2009

aqui diz-se

as palavras são a sobremesa. os actos, o prato principal. e as entradas, as expectativas.

um vídeo que fale por ti

apetece-me sonhar. talvez um dia tudo seja diferente. sem indiferença pelo oprimido, o excluído, o descriminado, o explorado, o precário, o abandonado. no estado comum de sobrevivência é mais do que nunca, hoje, fulcral falar sobre o dia do trabalhador. valorizar quem trabalha e quem procura. não esquecer que a sociedade, embora complexa, define-se pelo grau de participação que os que dela fazem parte possuem. uma sociedade que não tem alternativas para os que exclui é uma sociedade doente. incluir deverá ser um direito e um dever a suportar por qualquer sociedade democrática. apeteceu-me... sonhar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A presença mais pura

Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»

A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»

José Tolentino Mendonça
in A Que Distância Deixaste o Coração. Assírio & Alvim. 1998.

domingo, 26 de abril de 2009

acontece


a 6ª edição do festival indie. entre 23 de abril e 3 de maio. a decorrer no fórum lisboa, no cinema londres, no cinema city classic alvalade, no cinema são jorge e no museu oriente.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

um vídeo que fale por ti

apetece-me ir à manifestação comemorativa dos 35 anos do 25 de Abril; a iniciar-se pelas 15h30m no marquês de pombal e a finalizar no rossio. apetece-me e vou.

liberdades


liberdades e/ou liberdade? minha. tua. de todos? a minha liberdade não pode ser a tua prisão. e a tua liberdade jamais poderá ser a minha limitação; só se a minha liberdade invadir a tua – construída por ti, sem decretos. tu e eu determinamos por actos a nossa liberdade, sem papéis. tu e eu conquistamo-la todos os dias. eu livre. tu livre. todavia, presos. à liberdade individual, que bem poderá ser e só a de um governante. parece fácil? mas não é… 25 de Abril, sempre!

terça-feira, 21 de abril de 2009

cada vez

cada vez que te aproximas. dás um passo e outro passo - passo-me; o meu corpo estremece. o meu coração bate cada vez mais rápido e a seiva vermelha que me percorre, corre em montanha russa no meu enamorado corpo. pelo teu. desejo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

um vídeo que fale por ti

sexta-feira à porta e tempo de descarregar (ou carregar) o stress, as angústias ou, simplesmente, aquecer com vários passos de dança contra o frio que se fez sentir. como gosto de ver dançar a shakira, apetece-me imitá-la, com vários movimentos de corpo; talvez emagreça. e assim preparo a minha entrada no fim-de-semana. na tentativa de um sorriso.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

Maria Teresa Horta

sábado, 11 de abril de 2009


estou em plena zona oeste. num esconderijo quase rodeado de mar, atlântico; quase no infinito. onde deito o corpo e por vezes, longamente, deixo (-me) ficar. a visão. na paisagem. em memória transporto e a que recorro naqueles dias, nos tais dias, cinzentos. cinzentas e brancas as gaivotas que voam no firmamento. e eu, não consigo ficar imóvel sem pensar no admirável mundo. este; natural. boa páscoa.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

minha companheira de estrada

aqui faço a minha homenagem à cantora que mais me acompanhou. sempre gostei muito dela; ela também de moi, só que não sabe (que sou sua fã). é bom vê-la a cantar para mim... "tutututu i just sing for you". apetece-me oferecer-lhe um ramo de malmequeres por todas as músicas produzidas "across the lines"; "crossroads"...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

sem título

quero fugir.
------correr
---------por entre montes
-----------------------e planaltos.

------subir escadas
----------descer ruas
------------sentir-me cansada
--------------------------suar, ofegar.

e depois...
-------levemente
-------------parar.
-------------pensar.
---------------no que fiz.
---------------por onde andei.
---------------nos lugares que percorri.

---------------e dos amigos que conheci,
---------------------aqueles a quem timidamente me dei,
-----------------------------quantos perdi?
-------------------------------------quantos deixei?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

um vídeo que fale por ti

When I'm ridin' round the world
and I'm doin' this and I'm signing that
and I'm tryin' to make some girl
who tells me baby better come back later next week
'cause you see I'm on losing streak.
I can't get no, oh no no no.
Hey hey hey, that's what I say.

I can't get no, I can't get no,
I can't get no satisfaction,
no satisfaction, no satisfaction, no satisfaction.

hoje não me apetece ouvir nem rádio nem tv. vou sair de casa. mais uma vez, não sentir a satisfação de viajar de comboio. mas caminhar longas distâncias e talvez meter-me no carro. simplesmente, deixar-me ir.

domingo, 5 de abril de 2009

eu mudo. tu mudas. nós mudamos. eles mudam?

os tempos são de mudança para lá da esfera particular. ouvimo-lo diariamente. mudanças económicas. mudanças no estilo de vida. mudanças políticas. mudanças ambientais… mudanças que afectam ou afectarão as nossas vidas; existem, contudo, uns tais que pensam que mudar é algo como fazer um clique e já está. os tempos exigem-nos atitudes para lá do sofá roto, da televisão plasma e do carro XPTO; mais actividade e racionalidade individual e colectiva, dizem outros. sem dúvida, em vários domínios da sociedade estamos em momentos de viragem, a lamentarem-se em alguns casos por tardios. mas, para que a mudança ocorra é preciso que cada um de nós encontre razões para a fazer pois, se não forem apresentados motivos ou exemplos vindos de cima, as pessoas não a fazem, mesmo que lhes seja dito que é fundamental.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

manifestar

Eu manifesto [-me]
Tu manifestas [-te]
Ele/Ela manifesta [-se]

Nós manifestamos [-nos]
Vós manifestais [-vos]
Eles/Elas manifestam [-se]

a aprendizagem do verbo manifestar decorreu nos bancos de escola, se bem se lembram. mas este, sem sufixos, revela o acto de manifesto como uma forma de expressão ligeira de alguma coisa, não a manifestação pública. como em portugal se quer - ligeirinho e educadinho. na prática, tais actos ou participação nos mesmos requerem algum recato, educação e ordem; de preferência, tudo na forma enformada de um país demasiado conservador e que faz cara feia a quase todo o tipo reivindicação ou livre expressão de opinião. agora, com a vossa licença vou retirar-me para gritar contra a globalização. obrigadinha pela atenção. fiquem em paz e abençoad@s.

terça-feira, 31 de março de 2009

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo
namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação

Manuel Bandeira

segunda-feira, 30 de março de 2009

um vídeo que fale por ti

apetece-me dedicar este vídeo a alguém que eu cá sei. pronto, já está feita a dedicação. agora, quem quiser dedicar-se a ouvi-lo com atenção, faça favor. o poema merece - é lindo!

sábado, 28 de março de 2009

o sopro

estávamos estendidas na cama. só o lençol nos cobria, as costas. entre o fixar das tuas pernas sobre a minha anca sopraste ao meu ouvido. uma ondulação de ar ainda por lá, cá, permanece. ali, no meu ouvido, aqui, de vez em quando o vento torna-se audível, teu, agora meu. por vezes, mais aqui e além não ouço nada, só uma brisa de ti sobe ao meu cérebro. mas outro dia, além, junto à coclea senti um vento forte a empurrar-me para ti. de novo, aqui e mais aqui, no meu ouvido, o vento continua a soprar. mas agora, rodopio sobre mim mesma, embatendo nas paredes do meu quarto. o tímpano, o estribo e a bigorna já se queixaram.

bom fim de semana

chegou ao fim uma semana que parecia interminável. não fui infelizmente para a europa central mas trabalhei que me fartei. fartei-me mesmo. por agora, desejo a tod@s que por aqui passam um excelente fim de semana. garanto-vos que vou fazer por isso.

sexta-feira, 27 de março de 2009

dia mundial do teatro

clapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclapclap

quarta-feira, 25 de março de 2009

um vídeo que fale por ti

numa semana cheia de trabalho, apetecia-me deixar o "novelo" com uma série de nós a apresentar impeterivelmente até sexta-feira e partir de comboio em direcção à europa central. não sei por quê... mas tenho a certeza de que melhoraria bastante o meu estado de espírito. às vezes já não há pachorra! o jazz, que adoro, de vez em quando ou de quando em vez lá me vai salvando...

segunda-feira, 23 de março de 2009

papa do papa

Papa o papa. papa. Papa que papa e papa-se. pois já se sabe a papa do Papa. que muito papa o Papa e nada papa dos dias da papa de hoje. ontem e hoje o Papa papa. será que papará algo diferente? o Papa papará sempre. nem sei por quê tanta admiração -ö - perante o que o Papa papa. todos já sabemos o que ele papa. esperavam que ele papasse algo díspar do que ecoa papar? Papa o papa. alguns, não muitos, papam com ele. outros, papam mas não a mesma papa e não papam porque ele diz como se papa. pois a papa pode ser aquela que cada um de nós quiser, independentemente da papa do Papa. há dúvidas na papa do Papa? eu não tenho. ele é fiel à papa.

quinta-feira, 19 de março de 2009

um vídeo que fale por ti

tenho de (devo) dedicar-me ao lar. mas não me apetece. há momentos em que só quero sair porta fora e deixar-me exposta a ilimitadas possibilidades, com boa companhia. a época do lar já deu o que tinha a dar. e há sempre um mundo por descobrir, mesmo que só deseje conhecer parte dele. há sempre algo para fazer.

quarta-feira, 18 de março de 2009

desabafo

estou com a puta de uma gripe. uma gripe que me ataca a garganta e que me lixa o aparelho respiratório. não há pachorra para tamanho mal estar com tanta vida lá fora! por aqui, sou só eu neste estado infernal e umas formigas que enganadas pelo tempo decidiram sair das suas tocas para realizarem serviço de inspecção ao meu apartamento. não sei o que lhes faça ou mato-as já ou deixo-as, muito poucas, deambularem por aqui e acolá. cabronas! as duas - formigas e gripe; embora até ao momento não exista qualquer convergência entre elas. ao menos isso :)

domingo, 15 de março de 2009

uma imagem que fale por ti

Wassily Kandinsky (1866-1944). Murnau Street with Women. 1908

o tempo é de saída das casas cheias de pó e de voltar-nos para o exterior - de um passeio, de uma mesa de uma esplanada ou de um qualquer sítio onde seja possível sentir o vigor dos raios que já queimam a pele. é como um ciclo. alguns fecham-se no inverno como dentro de cavernas e ao mínimo raiar saem cá para fora que nem passarinhos. querem sentir na cara os restos de vento, as temperaturas agradáveis. correm, caminham, ou sentam-se descaídos numa cadeira. o lema é desfrutar pois daqui a nada, e como tudo parece correr, será tempo de recolher. gastar as energias que agora seguramos como respigadores.

quinta-feira, 12 de março de 2009

meia dúzia de olhares

olhar. olhar-te. num olhar teu. meu olhar. num olhar. olhar. olhar-te. num olhar teu. meu olhar. num olhar. olhar. olhar-te. num olhar teu. meu olhar. num olhar. olhar. olhar-te. num olhar teu. meu olhar. num olhar. olhar. olhar-te. num olhar teu. meu olhar. num olhar. olhar. olhar-te. num olhar teu. meu olhar. num olhar.

o teu cabelo

os teus cabelos encurvados no meu ombro; sem fatos cerimoniais, encostam-se longamente no tempo das horas que o nosso olhar se fixou na imagem de um mar sem rendinhas nem enrodilhados. alongo a minha mão no teu cabelo e deixo-a ficar, agarrada a ti, prolongamento de mim. nada tenho a dizer. as supostas palavras calam-se ao som do teu respirar calmo. enquanto as pessoas passam.

domingo, 8 de março de 2009

um vídeo que fale por ti

hoje aproximei-me das ondulações marítimas. no dia da gaja não havia presente melhor. um viva a todas e gajas deste planeta! as que cá estão e as, muitas, que lutaram para eu ter os direitos que possuo. apetece-me fazer um brinde com o copo cheio de vinho tinto frutado. tchim tchim

sábado, 7 de março de 2009

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e
a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.

E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que
pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata
dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada,
a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor
aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente sentada na primeira fila e torce um pouco o
pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do
corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que
gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

quarta-feira, 4 de março de 2009

um vídeo que fale por ti

apetece-me não escrever nada sobre este vídeo.

terça-feira, 3 de março de 2009

sem título

Por vezes fazemos do passado um oásis do deserto. Como se só ele pudesse saciar a nossa sede.

Ana Teresa Silva in Dizer-te

palavras com conto (inacabado)

estava a um canto, encostada a uma parede corroída, com a tinta a estalar e buracos incompletos pelos anos já passados. com o copo na mão, observava os teus movimentos sobre as pessoas que insistiam rodear-te, absorver a tua conquista na publicação de um livro quase best-seller; e o teu olhar, profundo, calmo mas claro e a tua mão longa mas estreita. encostada, quis-me sozinha para estar contigo neste momento. lembrar-me de ti tal como eras e como és. seguro o envelope com o teu convite em letra manuscrita e decido libertar-te das víboras que quase te asfixiam, quase em situação de queda peço-te lume para o meu cigarro que teima em meter-se na minha boca quando insisto que já não o quero. acendes o cigarro após um olhar que conheço bem e quase me eleva no mesmo instante; provoca-me a colocar-te a pergunta - o que fazes aqui, nesta sala com ar tão poluído?
esticas-te, suspendes o teu corpo sobre a minha mão, com um copo e respondes-me ao ouvido que nada, nada de interessante se consegue fazer naquelas festas sociais de plumas e pichebeque lavado em ouro. seguro-te a mão. puxo-te de encontro aos jardins daquela mansão impetuosa para nos encontrarmos no tempo perdido entre lágrimas e golpes de pernas, ou o inverso...

domingo, 1 de março de 2009

um vídeo que fale por ti

os meus passos lentos, a que querem obrigar maior rapidez, fluidez, agilidade, não passam de passos sem compasso. no silêncio. tropeço. na rotina dos dias. prossigo. até um começo... incompleto.
apetece-me ir ver o mar.

palavras cénicas (do absurdo)

(O Sr. e a Sra. Martin sentam-se frente a frente, sem se falarem. Sorriem um para o outro, timidamente. O diálogo que se segue deve ser dito com voz arrastada, monótona, meio cantante, sem nuances)
SR. MARTIN – Desculpe, minha senhora, mas parece-me, se não estou enganado, que a conheço de algum lugar.
SRA. MARTIN – Eu também, meu senhor, parece que o conheço de algum lugar.
SR. MARTIN – Por acaso, minha senhora, eu não a teria visto em Manchester?
SRA. MARTIN – É bem possível. Eu sou da cidade de Manchester! Mas não me lembro muito bem, meu senhor, eu não poderia dizer se o vi ou não!
SR. MARTIN – Meu Deus, que curioso! Eu também sou da cidade de Manchester, minha senhora!
SRA. MARTIN – Que curioso!
SR. MARTIN – Que curioso! … Só que eu, minha senhora, saí de Manchester há mais ou menos cinco semanas!
SRA. MARTIN – Que curioso! Que estranha coincidência! Eu também, meu senhor, saí da cidade de Manchester há mais ou menos cinco semanas.
SR. MARTIN – Peguei o comboio das 8 e meia da manhã, que chega em Londres às 15 para as 5, minha senhora.
SRA. MARTIN – Que curioso! Que estranho! E que coincidência! Eu também peguei o mesmo comboio, meu senhor.
SR. MARTIN – Meu Deus, que curioso! Então, minha senhora, talvez eu a tenha visto no comboio?
SRA. MARTIN – É bem possível, pode ser, é plausível, e, afinal, por que não!… Mas eu não me lembro disso, meu senhor!
SR. MARTIN – Eu estava a viajar em segunda classe, minha senhora. Não existe segunda classe na Inglaterra, mas assim mesmo eu viajo de segunda classe.
SRA. MARTIN – Que estranho, que curioso, e que coincidência! Também eu, meu senhor, estava a viajar em segunda classe!
SR. MARTIN – Que curioso! Talvez nos tenhamos encontrado na segunda classe, minha cara senhora!
SRA. MARTIN – É bem possível, pode ser. Mas eu não me lembro muito bem, meu caro senhor!
SR. MARTIN – Meu lugar era no vagão número 8, 6o. compartimento, minha senhora!
SRA. MARTIN – Que curioso! Meu lugar também era no vagão número 8, 6o. compartimento, meu caro senhor!
SR. MARTIN – Que curioso e que estranha coincidência! Talvez nos tenhamos encontrado no 6o. compartimento, minha cara senhora?
SRA. MARTIN – É bem possível, afinal! Mas eu não me lembro, meu caro senhor!
SR. MARTIN – Para falar a verdade, minha cara senhora, eu também não me lembro, mas é possível que nos tenhamos visto lá, e, pensando bem, a coisa parece-me bem possível!
SRA. MARTIN – Oh! Realmente, é claro, realmente, meu senhor!
SR. MARTIN – Que curioso!… Meu lugar era o número 3, perto da janela, minha cara senhora.
SRA. MARTIN – Oh, meu Deus, que curioso e que estranho, meu lugar era o numero 6, perto da janela, em frente ao senhor, meu caro senhor.
SR. MARTIN – Oh, meu Deus, que curioso e que coincidência!… Nós estávamos então frente a frente, minha cara senhora! É aí que devemos ter-nos visto!
SRA. MARTIN – Que curioso! É possível mas eu não me lembro, meu senhor.
SR. MARTIN – Para falar a verdade, minha cara senhora, eu também não me lembro. Contudo, é bem possível que nos tenhamos visto naquela ocasião.
SRA. MARTIN – É verdade, mas eu não estou muito certa disso, meu senhor.
SR. MARTIN – Mas não foi a senhora, minha cara senhora, a senhora pediu-me para pôr sua maleta no bagageiro e que em seguida agradeceu-me e deu-me permissão para fumar?
SRA. MARTIN – É sim, devia ser eu, meu senhor! Que curioso, que curioso, e que coincidência!
SR. MARTIN – Que curioso, que estranho, que coincidência! Muito bem, e então, então talvez nos tenhamos conhecido naquele momento, minha senhora?
SRA. MARTIN – Que curioso e que coincidência! É bem possível, meu caro senhor! Contudo, acho que não me lembro.
SR. MARTIN – Eu também não, minha senhora.

Eugene Ionesco in A Cantora Careca.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

roda vida

" (...) a quem talvez não vejamos mais, ou talvez sim, porque a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginávamos silêncios, e súbitos regressos quando pensávamos que não voltaríamos a encontrar-nos. (...)"

José Saramago. in A viagem do elefante.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

kate winslet. in leitor de stephen daldry.
hoje estive parte da madrugada a ver a cerimónia dos óscares, comentada por dois tipos sobre o efeito de xanax. não cheguei a ver a katie nem o sean penn... todavia aqui fica o meu reconhecimento, de que pouco ou nada vale, a estes premiados. a minha actriz preferida é a meryl streep mas, da nova geração, sem dúvida, a katie encontra-se entre as melhores. merecia após seis nomeações, com boas representações sem qualquer resultado, este prémio. agora vou ali fumar um cigarro e... talvez dormir.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

área vocabular de carnaval

máscaras
serpentinas
papelinhos
fatos
enfeitos
folia
alegria
corsos
água
entrudo
crítica
desfiles
alegórico
samba
música
veneza
bailes
controverso
três
tudo
[ou nada, para mim]
...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

hoje durante a tarde apeteceu-me ir até ao anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian, fechar os olhos, esticar as pernas, relaxar o corpo e apanhar todos os raios de sol possíveis. abasteci-me. e transporto-os no meu olhar.

palavras ausentes

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

pensar II

"549 Tudo o que aconteceu, teve de acontecer, é assim bem absurdo pensar-se que podia não ter acontecido - excepto para antes de ter acontecido, que era quando existia, na nossa ignorância, a hipótese de poder ter acontecido uma coisa diferente. A verdade é que, se podia não acontecer, teremos de nos perguntar porque é que não pôde. O que aconteceu foi o remate de milhentas circunstâncias, entre elas possivelmente a escolha livre de um ou muitos «alguéns». ora essa coordenação, porque aconteceu, tinha de acontecer exactamente por isso, porque não pôde deixar de acontecer. Se o tão célebre nariz de Cléopatra - que parece não ser célebre senão por isso - tivesse outro feitio, a História seria outra. Mas dizê-lo é dizer que tal nariz teve esse. Quando dizemos que se tivéssemos tido saúde e outra educação e o mais, dizemos precisamente que tivemos de ter tudo o que tivemos. Em cada circunstância da vida é normalmente possível decidirmo-nos por uma entre milhentas opções. Mas tomada uma, ela teve de ser não apenas tomada, por não ser já possível tomar outra, mas porque, se a tomei, foi por no momento em que a tomei eu entendi ser a melhor e portanto ter de a tomar, ainda que tivesse sido a pior.
Tudo isto está certo. E tudo isto está errado. Porquê? Porque sim. Não sei."

Vergílio Ferreira in Pensar

factos


entre debates e batinas...Hatshepsut ascende ao trono do egipto em 1430 a.c, tornando-se na primeira mulher faraó da história; desconhecida por muitos, teve um papel muito superior ao de cleópatra. governou durante 22 anos com uma força de carácter extraordinária, contra ventos e marés. ostentou todos os símbolos tradicionais de poder dos faraós, entre os quais uma barba falsa, que tinha o mesmo significado da coroa para os reis. destacou-se em muitos aspectos, como no renascimento da expressão artística na altura.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Um vídeo que fale por ti

When Im with you baby, I go out of my head
And I just cant get enough, I just cant get enough
All the things you do to me and everything you said
And I just cant get enough, I just cant get enough

[apetece-me fazer uma coisa que gosto muito, muito...tutututaruraru...]

pensar

nos últimos tempos tenho pensado demasiado na minha vida. sem pensar se isto é bom ou mau, estou em fase pause, com o dedo pressionado sobre o rewind de momentos marcantes que a compuseram, do que já fiz ou do que já poderia ter feito ou do que ainda poderei fazer. esta actividade é, por vezes, constrangedora, em particular quando alguns ses nos corroem, perspectivando que o meu estado, agora imediato poderia ter sido outro, melhor e a partir do qual obteria mais bem estar. todavia, se aquele se e mais o outro tivesse deixado de ser um se, estaria certamente neste mesmo ponto de questionamento, pois certamente outros ses apareceriam, obviamente embrulhados com outros sonhos sempre apaixonados. e viver de forma apaixonada também é tramado...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

palavras perdidas

num dia em que se fala, e bem, de evolucionismo em oposição à teoria do criacionismo... num outro campo, considero que em pilares basilares para o equilíbio do indivíduo e sequente, da sociedade, estamos não em regracionismo mas em plena regressão. ou em fase de mutação... e não sou só eu que fala sobre isto. talvez seja um pequeno passo para a acção?! ou não.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

sem título

Lá estava ela com o olhar perdido sobre o tempo.
Lá estava ela perdida no espaço.
A recuar, a avançar, a recuar, a
avançar. A inventar palavras, a
desculpar palavras.
À procura de saídas, à procura de.
À espera de poder correr entre as marés,
à espera de avançar solta pelas
nuvens, à espera de ser feliz.
E lá estava ela. Presente ou ausente.
Como se ambas fossem uma só. Ou não
houvesse espaço nem tempo que pudesse
derrubar as certezas quando guardadas
cá dentro.

Eu aqui me encontro. Querendo saber
navegar em marés turbulentas sem que o
corpo dê sinais de mal-estar. Mas não
sou peixe na água. Nem marinheiro de
tempestades. E ainda não me adaptei à
vida.

Tu aqui me encontrarás. Certezas,
guardo-as cá dentro. Para que o tempo
da ausência não as leve com ele. Certezas,
sim, de nós. Da nossa
amizade.

Ana Teresa Silva in dizer-te

mascarade

lee miller

lesboaparty. mascarade. 21 de fevereiro de 2009. lxfactory. 23h30
não vou. chádicidi. não gosto de máscaras.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

chego

chego a casa e dispo-me do pó dos dias escuros. a roupa que esteve ao sol cola-se à minha pele; frágil, o casaco com que me agasalho. esqueço-me. de fazer o jantar e não como. não tenho fome. de mim em ti, quente; lareira. em que só me sinto. bem. sem. emocionar-me, numa imagem que vejo, e mais uma e outra mais além. juntas, recordam. te. quero. perto. junto aos meus pés, uma botija. afaga-me. cobre-os de calor. e assim fico. a mim.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

lee miller
com o frio que está, apetece-me ficar eternamente na banheira. com água. quente. e sem aquela fotografia, ali. ao fundo. encostada à parede, quase colada, da minha casa de banho.

Tu tens um medo

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles

domingo, 8 de fevereiro de 2009

descrição ou o inverso

desço as escadas em direcção ao primeiro café da manhã, já tarde. velhas amontoam-se, riem-se do tempo passado, preocupa-as o presente, têm muito medo do futuro. sem tempo, dou o último gole, pago e saio porta fora. a chuva entra pelo casaco. fujo dela em corrida até à estação do metro, onde pago a minha viagem, também, para a uma sala de cinema de lisboa. revisito antigas estações que me faziam imaginar histórias – laranjeiras, alto dos moinhos, parque…, quando levanto o olhar do livro que tento ler.
duas senhoras sentam-se ao meu lado (sempre gostei de ouvir histórias) com quase sessenta anos cada, mas só uma constrói frases sobre os seus próprios pés. uns pés que são diferentes dos outros, outros entende-se nossos, humanos. para os pés diferentes já comprou utensílios, cremes, mezinhas… atira-os para a frente, aponta e por breves momentos penso que irá descalçar-se. saem.
continuo a minha leitura até ao saldanha. já não chove. vou até à bilheteira adquirir em troca de uma quantia monetária um papel ranhoso que permitirá o meu acesso à sala 1. olho para o relógio. tenho ainda 20 minutos. tomo um chá, entro numa livraria que requer a minha promessa de não comprar nada e na casa de banho, em espera, duas mulheres conversam sobre a necessidade de introspecção que têm sentido nos últimos meses. compreendo-as...
entro na sala de cinema, para minha admiração, cheia. alguns idosos. vejo estreias e antestreias e delicio-me com o filme milk, de Gus Van Sant, em particular com a excelente interpretação de Sean Penn – magnífico.
regresso de metro, e refeita de convicções e de convictos. afinal, vale a pena ter esperança.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

cat power

não me apetece fazer nada. vou ali ler umas coisas, beber um sumo e já volto.

Lisa Ekdahl - "vem vet"

o refrão diz qualquer coisa como 'quem sabe'. sei que não sei muito de sueco... mas que um fim-de-semana bem aproveitado até ao limite vale mais do que muita coisa desinteressante que fazemos durante um ano. por isso, bom fim-de-semana aos que por aqui passam ou param.

pregão: a lisa é linnnnnnddddddaaaa e canta bem.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

a terra

no passar das ruas, em que nós passámos, recordo os passos que demos, trocados entre risos de felicidade comprometida no nosso afecto, cúmplice. na altura. nas alturas. agora, pousada na planície não te vejo. não te procuro nem te quero encontrar. escavo a terra livre de ninguém que nem de mim é. e tudo o que encontro são vestígios de vida. outra. coloco a terra como a encontrei e sigo em frente.
Perfil

De passagem,
como a véspera imprecisa
do poema,
principia em mim
a planície agreste
da solidão dos outros.
E a não ser
o silêncio poente
dos meus olhos,
tudo o resto me diz
que sou um pássaro
a voar, inconsequentemente,
no sentido das palavras.

Graça Pires, in Poemas

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

solitária

tenho passado os dias comigo. talvez seja o frio que me faça por estes dias fechar a porta, e mantê-la encerrada a quem quer que toque à campainha. optei em estar. comigo. julgo, ser um direito que todos deveriam implantar a si próprios. existem alguns que fogem a sete pés desse direito, outros, como eu, necessitam dele como água para a boca. de estar. comigo. com as minhas coisas, como gosto de chamar, os livros, os filmes, os cd’s, os interesses que se reencontram ou encontram, esquecidos alguns há largos anos, cheios de pó a marcar o esquecimento a que foram remetidos numa qualquer estante da casa, encostada a uma parede, por estes dias, humedecida pela chuva que insiste em cair lá fora, e bem. talvez seja esta a única coisa de que realmente goste no inverno – da chuva; de senti-la cair sobre os meus cabelos e a escorrer-me pela cara. também por isso, raramente transporto chapéu; o gorro do casaco, chega.
esta vontade de estar. comigo. não é recente. sempre fui assim, principalmente nesta estação do ano. por vezes mal compreendida, outras ainda, confundida entre solitária e o desejo de solidão. todavia, solitária não é sinónimo de solidão…garanto que solitário não é necessariamente algo só, sozinho, desacompanhado, deserto, ermo, ou desabitado, numa pesquisa rápida que fiz. gosto de estar só mas isso não significa que sinta solidão ou que não goste de comunicar com os outros… significa, no meu caso, que saio menos, que leio mais, que reflicto e penso mais, que tenho menos pachorra para coisas banais… significa que tenho mais tempo. para mim. afinal, também mereço!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ideia

há dias em que não tenho nada a dizer. escrever. apetece-me ficar sossegada, calma e fazer o que bem me apetece do meu tempo. livre. já platão falava sobre a importância do lazer para o bem estar do indivíduo. dirão alguns que era uma utopia. digo eu, uma ideia não concretizável. para além do mais, nos dias de hoje em que escorrem notícias sobre despedimentos - ninguém quer ou deseja trocar tempo livre pelo salário que o emprego lhe possibilita. desejaríamos, pelo contrário, ter um pagamento pelo lazer. outra ideia. que nunca virá. como outras, que nunca deixaram de ser isso mesmo. ideias, emanharadas em palavras.

palavras ordenadas

primeira palavra. segunda palavra. terceira palavra. quarta palavra. quinta palavra. sexta palavra. oitava palavra. nona palavra. décima palavra. décima primeira palavra. décima segunda palavra...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

partiu há 25 anos

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?-
-Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Ary dos Santos

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

texto alterado

é fantástico verificar que alteram-se por aqui textos. um texto foi alterado no meu blogue. agora devidamente corrigido. e se fossem chatear outr@? aqui n se pretende escrever grandes textos sobre grandes teorias. mas este é o meu espaço. e sendo o meu, gosto de o preservar e cuidar. é lamentável que por aqui circule gente idiota!!!! vão para a **** que vos *****!

interesses

o que há nesta vida de real interesse a merecer o nosso interesse? desde a década de 70 faço esta pergunta de diferentes formas e em formas diferentes tenho encontrado motivos de concentração que revelam a importância atribuída. esses interesses, tal como os anos, vão-se acumulando em coisas díspares mas, por vezes, não muito distantes. a escrita, os livros, o cinema, a música… têm-me acompanhado, são por vezes a minha bóia de salvação e sempre que me distancio deles fico como que perdida. e são neles, juntamente com os momentos de convivência com os amigos e com a família, que me concentro pois, de tudo o resto retiramos pouca validade à nossa existência; somos meros números e sobre os quais somos obrigados a sobreviver. à medida que uns anos se acumulam interesso-me cada vez mais por mais do mesmo. tenho curiosidade pelo que aparece de novo, mas pouco é o que nos tocam em vários domínios como os velhos os fizeram e ainda fazem. poucos são os novos que conseguem bater os velhos. por que se calhar eles sabiam o que é que deveria na vida merecer o nosso interesse. e nem é preciso muito. basta o essencial.

desabafo

ando sem pachorra para comentadores e políticos. análises e previsões. sondagens e reacções. futebóis e economistas. presidente e segurança. armamento e armações. cessares-fogo e confusões. assaltos e mãos armadas. isto é tudo numa enorme bicharada. ufff

Venham mais cinco

Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já

Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X
Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...
Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X

A gente ajuda, havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a ruaGritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam, bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra, quem trepa
No coqueiro é o rei

A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

Zeca Afonso

sábado, 17 de janeiro de 2009

fiquei em casa

fiquei em casa. comigo. simples, no meu espaço. com livros. lidos e outros tantos por ler. entre letras. mais confiáveis, estas palavras. sou eu que as escolho. para me questionarem, concordar ou enfurecerem. não os livros, as palavras, mais uma vez. outra vez, mais uma vez, folheio-os como que à procura de algo. nem sempre encontro. outras, encontro-me no que sublinhei a lápis de carvão, no que considerei e como avaliei. em outros tempos. em que o mundo não me era apresentado como hoje. fiquei em casa. comigo, simples, no meu espaço...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Katie Melua - Nine Million Bicycles

de vez em quando ou de quando em vez encontro-me com a Katie. e ela deve gostar.

encontramo-nos todos os sábados

encontramo-nos todos os sábados naquele café. naquele. onde estás tu. a tal. naquele café está a tal mulher. aquela que eu amo. naquele café está a tal mulher, aquela que eu amo. e que me olha intensamente. naquele café está a tal mulher, aquela que eu amo e que me olha intensamente. e diz olá, gosto do seu casaco. naquele café está a tal mulher que eu amo e que me olha intensamente e que me diz olá, gosto do seu casaco. e coloca na minha mão um bilhete com um número de telefone. naquele café está a tal mulher que eu amo e que me olha intensamente e que me diz olá, gosto do seu casaco e coloca na minha mão um bilhete com um número de telefone. ligo-lhe. diz que quer marcar um encontro. naquele café está a tal mulher que eu amo e que me olha intensamente e diz olá, gosto do seu casaco e coloca na minha mão um bilhete com um número de telefone, ligo-lhe e diz que quer marcar um encontro. marcamos um encontro na praça Luís de Camões. encontramo-nos e falamos. naquele café está a tal mulher que eu amo, que me olha intensamente e diz olá, gosto do seu casaco, coloca na minha mão um bilhete com um número de telefone, ligo-lhe e diz que quer marcar um encontro e encontramo-nos na praça Luís de Camões e falamos. enamoradas subimos as escadas de uma pensão. onde fodemos. depois despedimo-nos e marcamos um novo encontro.

exercício

* complete com a palavra que lhe pareça mais indicada.

cautela com os amores. pensem duas vezes em casar com um (a) _________, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de__________ que nem __________sabe onde é que acabam.

cardeal-patriarca josé policarpo (adaptado)


resoluções possíveis:

1. cautela com os amores. pensem duas vezes em casar com uma lésbica, pensem muito seriamente, é meterem-se num monte de pecados que nem Deus sabe onde é que acabam.

2. cautela com os amores, pensem duas vezes em casar com um português, pensem muito seriamente, é meterem-se num monte de maus tratos que nem a sua mãe sabe onde é que acabam.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

palavras decentes

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luiz Vaz de Camões

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

palavras ordiná ri as

já fodeste muito, eu sei. e deixaste que te fodessem. mas que merda! com o que é que ficaste na merda desses momentos? momentos, simplesmente. para te gabares às amigas e queridas do teu círculo hipócrita? que ocorreram umas trocas de fluídos e ela disse muitas vezes ai? foda-se! mas já alguma vez amaste? sabes o que é gostar de alguém muito, muito mesmo, e querer e desejar essa pessoa próximo? só. a presença basta, nem é necessário o toque. pode estar calada, pode falar o que quiser mas é ela, a tal, a pessoa que amas. quem embrulhou o teu coração com algodão e o mantém quente, muito quente. sabes o que é isso? já alguma vez sentiste isso? não... então cala-te. e vai para o caralho.

com versa

outro dia conversava com uma amiga considerações, visões e outros etecetras sobre, essencialmente, como amamos. a conversa tornou-se quente quando deslindávamos do novelo situações engraçadas, entre mágoas e tristezas; diferentes pois já toda agente sabe que amamos de formas díspares, sendo este, por vezes um dos principais motivos de discórdia.
saí satisfeita e acho que ela também. dialogar com as pessoas sobre sentimentos é algo que hoje escasseia. parece ser bem mais interessante discursar sobre o lucro, o sucesso, o emprego, o dinheiro… ou o seu contrário; compreende-se dada a conjuntura actual, mas por isso mesmo, torna-se assim tão ou mais urgente falar de amor, partilha e solidariedade – qualidades que ainda quero acreditar existem no ser humano.
amar, partilhar e ser solidário actualmente não é tarefa fácil tal como, actualmente é sobreviver. mas não nos podemos esquecer que é devido a estes sentimentos que muitas vezes corremos, pensamos, agimos, aquecemos… preservar o amor numa relação, por exemplo, requer tempo. é um trabalho árduo, quase minucioso, a exigir muita ginástica em vários domínios. e isso não é fácil. é muito moroso e há quem não tenha paciência para tanto, infelizmente. são os instantes que ditam.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Conta-me

Conta-me
Do teu vestido verde
Seda pura
Corte liso
Conta-me
Do que é preciso
Para que vistas luar
E sombra
Pele e luz.

Edgardo Xavier
in Amor Despenteado

Waltz with Bashir | Ari Folman | Official Trailer #1 [HD Quality]

um acaso. do caso da memória. de guerra. em guerra... que este filme de animação revela. também a memória como um "mundo rico e fascinante".

memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

lembranças

não me lembro

não me lembro de sentir tanto frio em lisboa.
não me lembro de pensar tantas vezes no frio que estava.
não me lembro de ver registado 1ºC em lisboa.
não me lembro de dizer que sou friorenta tantas vezes num dia.
não me lembro de ouvir tantas vezes num dia ai, está tanto frio...
não me lembro de falar tantas vezes, ai isto não se aguenta.
não me lembro de um dia assim em lisboa.
não me lembro.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Estado deste blog

o o
X
[tradução: encerrado por instantes]

simples

dou por mim a pensar. em nada. e pergunto, por que não me apetece pensar. sem pensar. penso. deixo-me ficar, a observar o que me rodeia, os objectos. simples. neste meu estado. offline. do tipo autista. não quero saber nada. não quero ouvir nada. só respirar. ar. oxigenar o meu corpo. imóvel. em cima do móvel da sala. simples.

e os projectos?

então esqueci-me no post em baixo dos projectos... e os projectos? os que já fiz, os que pensei fazer e nunca farei e os que penso fazer...blá blá blá :o era só isso.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

o que dizer sobre a minha pessoa? que sou isto ou aquilo e mais não sei quê e fui acolá e além e ali fiz um pouco de tudo e de nada e quem me conhece sabe bem quem sou e não serei mais do que eu própria sei. mais que de mais te direi? e mais o que te poderei dizer? sou o que e como sou e isso, basta-me. só. serei nada?

domingo, 4 de janeiro de 2009

The Cure - A Forest - (Perfect Version)

comento: sem comentários :)

palavras difíceis

basta-me permanecer no seu regaço

Basta-me morrer no meu país
aí ser enterrada
dissolver-me e aí reduzir-me a nada
ressuscitar erva em sua terra
ressuscitar flor
que uma criança crescida em meu país arrancará
basta-me estar no regaço de minha pátria.
terra........
...................erva.....................
......................................flor

Fadwa Tuqan

não me canso de falar

Não me canso de falar sobre a diferença ténue entre as
mulheres e as árvores,
sobre a magia da terra, sobre um país cujo carimbo não
encontrei em nenhum passaporte.
Pergunto: Senhoras e senhores de bom coração, a terra
dos homens é, como vós afirmais, de todos os homens?
Onde está então o meu casebre? Onde estou eu? A
assembleia aplaudiu-me
durante três minutos, três minutos de liberdade e de
reconhecimento... A assembleia acaba de aprovar
o nosso direito ao regresso, como o de todas as galinhas e
todos os cavalos, a um sonho de pedra.
Aperto-lhes a mão, um a um, depois faço uma saudação,
inclinando-me... e continuo a viagem
para outro país, onde falarei sobre a diferença entre
miragens e chuva.E perguntarei: Senhoras e senhores de bom coração, a
terra dos homens é
de todos os homens?

Mahmud Darwich

sábado, 3 de janeiro de 2009

falam os actos


aqui, quando eram urgentes as palavras, não existiram. aqui, quando as palavras chegaram os actos tinham-nas corroído. enclaves. aqui, continua a não existir direito à palavra e aos actos com os lados. aqui não há palavras que valham. agora falam só os actos; de um lado. para mais um auto de história. infeliz

palavras indiferentes

- ontem à noite pensei em ti, com carinho.

[isto para ti não tem qualquer valor]

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

as palavras não têm valor. nós somos uma espécie de banqueiros das palavras. só ganham o valor que nós lhes quisermos atribuir. fora isso, são letras todas juntas.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

uma pérola

[fui aqui e descobri mais aqui. uma pérola.]


Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto

Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.

Maria do Rosário Pedreira
in A Casa e o Cheiro dos Livros