Livrai-me, Senhor/De tudo o que for/Vazio de amor/ Que nunca me espere/Quem bem não me quer/(homem ou mulher)/ Livrai-me também/De quem me detém/E graça não tem/ E mais de quem não/Possui nem um grão/ De imaginação. "Libera-me". Carlos Queiroz
sexta-feira, 22 de abril de 2011
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
chega amanhã
no meu quarto já coloquei um colchão de palha do tempo dos meus avós, caso estejam muito cansados terão um leito à disposição, envolvente, com muitas velas, coloridas, amorosas, a libertarem cheiro para relaxar. mantive o crucifixo pois convém que eles sintam a religião dominante que sempre os poderá iluminar mais e melhor para o bem de todos; amén.
na cozinha, coloquei o melhor da cerâmica portuguesa - o galo de barcelos, o zé povinho e muitas andorinhas para dar uma ideia minimalista de partida e regresso e partida - e ainda várias peças de barro, bonito, aquelas de cor castanha. algumas caçarolas em vez dos tachos de metal, também achei bem. é tipicamente tradicional português.
na sala retirei a tv, porque na maior parte das vezes não tenho pachorra para aquilo, e no mesmo sítio coloquei sobre uns bonitos naprons, uma daquelas jarras enormes azuis com umas flores ao centro. obviamente encaixotei os livros que povoavam as estantes (não sei se o melhor mesmo é deitá-los fora) e decidi comprar várias coisas giras que existem nas lojas dos chineses, psicadélicas, coloridas e quase sempre com paisagens, incluídas cascatas. sentir-se-ão mais à vontade, por certo.
o problema foi com a última divisão, onde guardo papéis, em cima da secretária, papéis em dossiers, papéis nas estantes... e os livros? muitos relacionados com a minha área... o que fazer? bem, aqui decidi manter quase tudo como estava. só que fiz um esforço imenso, nem sabem o quanto, para arranjar um espaço considerável para livros de: economia vários, estatística alguns, finanças também , outros que ainda vou descobrir e, assim meio escondido, alguns de psicologia de auto-ajuda, não vá o diabo tecê-las.
antes de finalizar, no hall de entrada pendurei na parede aquele quadro adorável com a imagem de um rapaz, de ar tristíssimo a chorar, que acompanhou grande parte da minha infância. disponível qualquer feira que se preze.
olha, agora que venham. já estou quase quase preparada. seja o que deus quiser já diziam a minha avó e a minha mãe também.
nota: qualquer coincidência com a realidade é pura ficção.
sábado, 9 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
velhinhas
junto à caixa registadora estava uma senhora idosa já a trocar palavras. no exacto momento que encontra o meu olhar lança-me a pergunta, num tiro furtivo:
- não sou bonita?
- hã? claro que é bonita! - respondo-lhe.
- sabe que idade é que tenho? 88!
- ah! está óptima! ...
a conversa continua. fala-me de uma operação; de uma vida sozinha em prol dos outros; de um casamento tardio muito feliz; de viagens; de um tipo que, como já está viúva, lhe propôs coiso e tal mas para o qual já não tem pachorra; dos cremes que coloca na pele, água e sabão; de como se sente feliz, e fui muito feliz, sabe? ; e, como num golpe de magia, atira-me para a vista várias fotografias, vou ser muito rápida, - de quando era nova ( os óculos eram muito giros), do marido e... do tal tipo que lhe propôs coiso e tal mas que não está para aí virada, porque com a minha idade já não estou para andar a limpar, passar a ferro e lavar o cú. ora toma!
muito dificilmente alcançarei tanto tempo. mas gostei da ideia. quando for velha quero ser assim: meter-me nos estabelecimentos comerciais, apetrechada com anexos vários, como jornais, fotos, vídeos,citações horrorosas de paulo coelho só para chatear ... e questionar as pessoas sobre a minha beleza. acho que não me irão dizer que não...