sexta-feira, 29 de maio de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

eleições

no dia 7 de junho teremos eleições. tentarei mais uma vez e, como sempre faço, exercer o meu direito enquanto mulher e enquanto cidadã, por esta ordem. mas estas eleições às europeias, como muitos sabemos, serão também um teste ao governo que será confrontado provavelmente com percentagens a expressarem uma série de descontentamentos, presentes em vários quadrantes da sociedade. as coisas não estão fáceis - diz o povo. para mim como para qualquer ser humano que sobreviva também não e, no que se refere ao esclarecimento sobre o papel da europa neste momento de crise e em outros, o tratado de lisboa (?) e outros afins, a coisa tá preta. os cartazes também não ajudam, são pindéricos e contêm palavras que em nada envolvem a europa, sem conteúdo - dar tudo por portugal ou pelo interesse nacional eu assino por baixo. ora, se há coisa que este momento deveria servir seria para informar as pessoas sobre a importância da europa nas nossas vidinhas e como um eurodeputado actua em nome dos interesses nacionais/europeus. mas já se viu que essa freguesia não existe por aqui. pelo contrário, continuamos colocados na periferia bairrista entre os principais partidos políticos. sem assunto essencial. e eu ainda não sei em quem votar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

a direcção das palavras

Não quero escrever nada.

Não quero escrever.

N
ã
o

q
u
e
r
o
.

N
ã
o
.

domingo, 24 de maio de 2009

as palavras

São como um cristal,
as palavras
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Eugénio de Andrade

sábado, 23 de maio de 2009

um vídeo que fale por ti

vídeo

a vida não é linear. tem voltas e voltas, altos e baixos, alegrias e tristezas. faz tudo parte. não existem manuais, nem receitas. cada um, por si, vai construindo o seu próprio "livro" de vivências com umas dicas a distribuir por entre aqueles de que se mais gosta. ainda sei pouco da vida. da minha, sei o necessário e o que interessa. quanto ao resto, larguei ao vento. todavia, entre tratados e memorandos há que saber mudar. há que saber também saber. pular. sapatear. dançar.correr... ( ou parar). viver. assim, hoje apetece-me... deixacáver... nadar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

acontece


a 5ª edição do world press cartoon encontra-se no museu de arte moderna da cidade de sintra até 14 de junho. a entrada é livre. a não perder.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

fui à tua procura

entrei no teu quarto. deitei-me na cama e esperei por ti, como uma cadela que espera pela sua dona. que a cuide. que a mime. que lhe dê alimento; à alma - raios parta a alma, que treta esta que inventaram?! folheei todos os teus livros de cabeceira, li palavras rasgadas, conhecedoras, saborosas, poéticas, propositadas… todas as palavras que abraças à noite quando me ausento. olhei para o teu céu, branco, onde passeiam saltos altos. naquele momento senti; uma casa fria. tudo; gélido, como eu, sem o teu toque. as tuas mãos. sobre a minha pele. o calor do teu abraço nas minhas costas. levantei-me da tua cama, saí porta fora e fui à tua procura.

terça-feira, 19 de maio de 2009

um cigarro

Um cigarro
ninguém tem
um cigarro?
um copo de vinho
um amor perdido
uma causa iludida
uma angústia a mais?
alguém quer trocar
de veias
de sangue
de coração
de pulmões?
um cigarro
ao menos
ninguém tem
um cigarro?

Carlos Alberto Machado
in A Realidade Inclinada. Averno. 2003

segunda-feira, 18 de maio de 2009

paro numa esplanada

paro numa esplanada. pego na cadeira com as duas mãos, coloco-a contra mim e abro espaço. sento-me. coloco os braços sobre a mesa; sustêm a face na realidade que nunca se desliga. também do rio tejo. troncos suados correm sobre pernas de todas as idades. cabeças com penteados made in vento rodam entre a esquerda, a direita ou em frente; nunca se viram para trás. punhos cerrados batem sobre as mesas em redor. tabuleiros passeiam com uma mão e imperiais e copos vazios. vozes ecoam palavras banais. puxo a cadeira para trás. distancio-me da mesa. levanto-me em direcção à caixa. passo uma nota para uma outra mão. a outra mão dá-me moedas. saio.
sem palavras.

sábado, 16 de maio de 2009

um vídeo que fale por ti

este fim-de-semana, embora me apeteça... não danço. nem dançarei. estou com trabalho e isto para além de ser tramado é, indo directa ao assunto, fodido. existem umas rendinhas que inventam à última da hora só para ficar bonito e coisa e tal e uma gaja, aqui moi, é que se lixa. raios parta para os adeptos do "crochet"! mais uma vez, um viva ao jazz ou a tudo a que a ele se aproxime.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

pensar III

343 Não penses muito, para que pensar? Fatiga tanto. E não há verdade nenhuma adquirida de uma vez para sempre. A gente sabe-
-a e fica naturalmente contente de sabê-la e de julgar que nenhuma outra a vai render. Mas depois esquece. Arruma-se então na estante das verdades como um sepulcro. De longe em longe há quem a visite para pasmar de ter existido ou olhar mesmo com simpatia tolerante como se olha uma fotografia velha e se pergunta - de quem será? E se acontece, por capricho de morte, que nem esquece nem se arruma, é porque ainda serve para se matar gente ou morrer em nome dela. É a altura de outros virem e pasmarem por se ter morrido pelo que não existe, que é aquilo, aliás, por que mais se morre. Não morras. Olha apenas e espera. Há tanta sabedoria no olhar. Não se mata nem se morre pela sabedoria. podem é matar-te os outros que não a têm. Sê simplicidade de existir. E terás existido tudo o que vale a pena para seres humano. Porque só se existe pela vida que está em ti e nos outros e na luz e na verdade profunda da Terra.

Vergílio Ferreira.
in pensar. Bertrand Editora. 1993

sábado, 9 de maio de 2009

um vídeo que fale por ti

há alturas em que a vida corroi-nos; deixa-nos nem que seja por instantes no instante que somos. aqui, neste mundo. apetece-me chorar. lavar a alma e depois ficar. calma. na quietude comigo, com as minhas reflexões.
não é fragilidade. são momentos necessários. do dever expresso em sentimentos. da existência.

One day I met a precious soul
Whose words had touched my heart
His poetry resounded so
It tore my soul apart
But when I tried my thoughts to speak
Emotion made my mind so weak
And time stood still for years and years
I bathed him in my tears

I cried, I cried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again

Some people turn to pills and things
To help them through the day
To take them up or down or just
To ease the blues away
But me I really want to feel
The ups and downs of life so real
Happy or sad emotions reign
My tears flow just the same
...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

vou-me

não quero que digas – vou-me. não te deixarei partir, mesmo que forces a saída. se me beijares, colares a tua boca na minha face e as tuas mãos cobrirem-me por instantes como um cobertor cheio de pelos que se agarram à pele, então poderás; ir. deixar-me de vez, como aquela vez e outra vez; vais. levantar a âncora com a mesma pressa com que a lançaste de encontro ao meu porto; de abrigo. desatraca o teu navio cheio de objectos que disfarçam a tua penúria; material. e se quiseres enche-o dos livros que já li, dos discos que já ouvi, dos filmes que já vi. leva-os contigo, comigo dentro; do teu iate roto. depois, se fores ao fundo não digas que a culpa foi minha. afinal, os teus objectos valem mais do que os meus. para ti.
escrevi.

domingo, 3 de maio de 2009

desculpa-me a ternura

Enternece-me pensar que estás aí,
não força de trabalho desigual
nem vida à pressa,
mas minha amiga.

Talvez as palavras que te digo
me transpareçam classe,
talvez nem te devesse dizer nada.
Porque és a mão que ampara o meu silêncio,
a minha filha, o meu cansaço
— à custa do teu cansaço, da tua filha,
do teu silêncio.

Não há homens-a-dias neste mundo,
mas tantas como tu,
a segurar nas mãos e no sorriso
algumas como eu.

Entraste há pouco a perguntar
se eu tinha febre
— a louça por lavar nas tuas mãos,
aspirando o cansaço dos meus ombros,
nos teus ombros o cansaço de mim
e o cansaço de ti.


Desculpa os meus silêncios,
o falar-me contigo como com mais ninguém,
desculpa o tom sem pressa
— e o meu dinheiro que não chega a nada,
comprando o teu trabalho
(o teu sorriso)

Ana Luísa Amaral
in Às Vezes o Paraíso. Quetzal Editores. 1998.

[à minha mãe, a melhor. pela força e pela energia com que vive. obrigada mãe.]

sábado, 2 de maio de 2009

aqui diz-se

as palavras são a sobremesa. os actos, o prato principal. e as entradas, as expectativas.

um vídeo que fale por ti

apetece-me sonhar. talvez um dia tudo seja diferente. sem indiferença pelo oprimido, o excluído, o descriminado, o explorado, o precário, o abandonado. no estado comum de sobrevivência é mais do que nunca, hoje, fulcral falar sobre o dia do trabalhador. valorizar quem trabalha e quem procura. não esquecer que a sociedade, embora complexa, define-se pelo grau de participação que os que dela fazem parte possuem. uma sociedade que não tem alternativas para os que exclui é uma sociedade doente. incluir deverá ser um direito e um dever a suportar por qualquer sociedade democrática. apeteceu-me... sonhar.