sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

bom ano

ora bem, cá estamos novamente. o dito cujo foi o que tinha de ser, com umas caneladas aqui e outras mais ali, uns tropeções além, uns sorrisos por aí, moments of convívio acolá, encontros e despedidas um pouco aquém e... chego sã e viva, ao final de mais um ano, formalmente falando. pois, no meu caso, iniciou-se logo a seguir às férias. na altura, depois de feito o balancete, eu e o tempo (ocidental) fomos ao registo civil e coiso e tal e, agora, espero formalizar com direito a foguetes e champagne este casamento. como os votos são sempre os mesmos, se quiserem podem clicar aqui e mentalmente façam-me o favor de alterar onde se lê 2010 devem ler 2011. ainda podem acrescentar, ao favor do freguês, aquelas coisas como saúde, sorte, luz, força, ... e mais o que desejarem. e prontos. tá feito.

p.s. - quem pretender uma música de fundo, a funcionária tem duas sugestões ma-ra-vi-lho-sas escolhidas agora: esta e... mais esta . caso não sejam ao gosto, procura uma à tua medida, que de certeza também ficará bem.

bom ano 2011 a tod@s!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pedras no caminho

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vão construir um castelo... Fernando Pessoa nota: este poema foi enviado via mail. achei-o bonito na altura. aceitam-se entretanto correcções. estejam à vontade.

"viver a vida"

depois do slogan eu quero ser feliz, eis que assisto ao surgimento de outro, novo, mas que juntinhos dão no mesmo... - eu quero viver a vida; daria para um longo e discutível post... mas não me apetece. ontem ouvi talvez pela décima sexta vez uma pessoa, neste caso amiga, dizer que agora estava numa de viver a vida. lamento, mas uma enorme gargalhada interior senti, felizmente não se libertou. questinonei-a com o que queria dizer com isso - sei lá, é sair mais, viajar, tomar uns copos, divertir-me, não achas? quase rebolei no chão. respeito o ponto de vista decifrado de um qualquer manual não-sei-do-quê que não pretendo adquirir. por enquanto continuo com a minha - viver a vida é fazer tudo aquilo que me dá prazer. hoje já estive algumas horas em redor de umas peças de madeira, entre tintas e pincéis e podem crer, vivi a vida. a minha, ora essa! :)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

é natal - aguenta-te


beijinho no lacinho,
estrelinha com carinho.
amor é o que eu sinto,
ao ver-te assim tão pertinho.

pai natal amiguinho,
dá prendas às crianças.
vem cá, sou adulta
e também gostaria de ter as tuas festas mansas.

bolo rei como eu.
comes tu também.
muitos não comem nada,
têm pouco (dinheiro) e ninguém.

natal de prendas e prendinhas,
dá cá mais um beijinho.
deveria antes ser, não tenho nada
mas tenho este abracinho.

natal, festa da família, dizem por aí...
faço que seja festa dos afectos
sabem bem, são mais sinceros,
e todos gostam, filhos e netos.

tinha mais a escrever,
mas faltou-me a inspiração.
estou com sono, pois
andei a trabalhar como se trabalha no bolhão.

aqui fica uma música para aquecer
não precisas de lareira
levanta os pés do chão
e faz-te de cantadeira.

por agora, sem mais,
desejo-vos um bom natal.
dêem muitas prendas -
- um beijo ou aquele abraço fenomenal.

domingo, 5 de dezembro de 2010

aconteceu



há uma semana e coiso e tal fui ouvi-lo. ler(-lhe) as palavras. memorizar e recordar. músicas. novas e velhas. todas com sentido; a realidade e histórias lá dentro. voei sem descolar da cadeira, sonhei sem dormir, imaginei em criar; qualquer coisa assim, sublime, intocável, quase perfeito. sergio godinho é sem dúvida o meu bob dylan, o meu michael jackson [o sérgio dança melhor], os U2 todos juntos...- disse uns dias antes do concerto. c. sorriu. quando o dia chegou ficámos imbuídas de melodias. fortes. antes de abrir a porta em direccção à rua, fria, beijaste-me. e no canto da orelha colocaste a quente a palavra obrigada. não tem de quê, só neste país. contigo. em qualquer lugar.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Diz que diz



informo que informarei melhor sobre a tal informação em relação aos pombos em nota informativa.
enquanto isso não acontece, descobri o cd graffiti com algumas das melhores vozes femininas portuguesas. gosto desta música que aqui deixo com a GRANDE Sara Tavares, mas também gosto desta.
bom fim de semana.

domingo, 14 de novembro de 2010

ah pois

nos últimos anos, acho, pelo menos na cidade onde vivo, assiste-se à proliferação do hábito de opinar sobre profissões, provavelmente desejadas na infância. falam como se árbitros, professores, governantes, ou médicos fossem, entre outras profissões, mas estas por agora são suficientes para ilustrar este post.
a juntar a esta espécie de fetiche, virado para o opinanço livre e democrático, há outra coisa, tratemo-la assim, que está a tornar-se muito usual, talvez em sequência das notícias repetitivas sobre economia e/ou política (a dar em maluquinho qualquer português que se preze), que são caros leitores deste blogue: reuniões.
as pessoas que nunca foram ou raramente estiveram presentes numa são as que mais adoram fazê-las (?!), especialmente reformados. ainda não descobri qual é o gozo, talvez julguem este momento como sendo o seu, de estado (pessoal, claro), sei lá; para quem não tem mais nada que fazer. ah, pois.
aqui pelas redondezas também se padece dessa moda. no reino de condóminos que faço parte, com alguns reformados à mistura, de vez em quando ou de quando em vez sou convocada para reuniões com assuntos muito estranhos. a última, a realizar-se daqui a três semanas, tem como assunto, ora pasmem-se:
p o m b o s…
pombos?! garanto-vos que por aqui há poucos, não mais do que uma dezena, e nos últimos anos os meus olhos têm visualizado cada vez menos.
mas sejamos sérios, se é pombos… que sub temas poderão ser discutidos ? bem, a pensar para os meus botões, julgo que esta gente com certeza não pretenderá reunir-se para falar sobre a provável extinção desta ave daqui a uns… sei lá, 500 anos. nem terá como objectivo expor uma ideia ecológica, como por exemplo, a colocação de ninhos pelo bairro para ajudar estas pobres aves na altura da nidificação. não, não. palpita-me, sim, que a alma iluminada que colocou a convocatória na minha caixa do correio, pretende que conversemos/discutamos sobre… a caca dos pombos.
a caca dos pombos?! ah pois, sim. e já me imaginaram estar numa reunião a ouvir falar a uma tal que passou pela rua e, o nono e penúltimo pombo dos que existem nas redondezas, cagou-lhe assim e, outro iluminado, a retorquir que com ele foi pior - pombo rasou-lhe a cabeça, quase o ia fazendo cair e por isso tem umas dores que não aguenta e cagou-lhe assado. e eu (claro que não): – pois, pois… nunca nenhum me cagou mas nós, ups, eles são uns verdadeiros cagões! então o que sugerem? todos de arma em punho para colocarmos uma bala no cú dos pombos que nem vejo?
ah pois, não. ah pois, que não há pachorra! ah pois, é… ah pois que até seria divertido fazer a minha primeira gravação e, porque não, colocá-la no meu ficheiro de momentos deprimentes...ah pois… ah pois…mas não escreverei uma acta de merda. ah pois… não. ah pois... vou? ah pois... não vou?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

desejo



bom fim de semana! :)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

à pessoa que mais amo



a pessoa que mais amo - a minha mãe - faz hoje anos. desejo-te muitos e muitos e... anos de vida. agradeço-te por agora, para além de muitas coisas, uma muito simples - o facto de todos dias insistires em ensinar-me a rir, apesar das adversidades. para ti, um enorme sorriso :)!

ouvi dizer...

- fazes-me um favor?
- favor? a minha vida está preta, tenho dois filhos para criar, e estou a começar a vender favores, conselhos, ... queres comprar um favor meu?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

um vídeo que fale por ti



[música criada com base no poema que em baixo se segue]

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Álvaro de Campos

domingo, 7 de novembro de 2010

"tou" com uma ideia... só uma

Portugal viveu nos últimos dias diluído em imagens e palavras de acontecimentos, sucessórios, numa espécie de jogo verdade e consequência. várias pessoas, comigo próximo, expressaram repúdio sempre que as viam e/ou ouviam; transformaram-se em palavrões, símbolos imorais se é que a moralidade ainda existe… não me apetece repetir o que tantas vezes todos ouvimos ou nas notícias de jornal, telejornal ou de rádio. estaria certamente a cometer uma infâmia a ti que te dás ao trabalho de ler este texto.

por mim, afirmo, confirmo e reafirmo até novos dias… estou a borrifar-me para tratos e tratados, fatos carros, buliços e confusões, orçamentos ou limões. não me interessa, não quero saber, gosto de me informar, sem muito, pouco ou nada aprofundar. tenho por vezes umas ideias, cá para mim, num país assim, bestial, bestiais; uma delas é talvez emigrar e a outra que agora apareceu mas vai fugir logo a seguir passo seguidamente a apresentar.
em seguimento da visita de um tal presidente que se cruzou com um tal primeiro ministro e outro presidente portugueses, sugiro que sejam criadas e promovidas acções ao nível, tão falado, social, para além do mais desejado ao nível económico; mas de economia nada percebo, embora esteja a encaminhar-me para daqui a provavelmente dez anos, eu (e mais uns dez milhões) receber um mestrado ou, por que não, doutoramento em economia e finanças. todavia,, reforço, disso eu não entendo nada.
bem, voltemos então à minha ideia, talvez a apresentar num qualquer local , sempre próprio, onde se poderá incluir a embaixada do país do digníssimo presidente visitante. li, ouvi, disseram-me… já nem sei, que no país deste digníssimo presidente accionaram-se medidas de controlo de natalidade extremamente [fica bem] interessantes. como consequência desta acção, há uns anos muitos bebés do sexo masculino, nem se sabe bem porquê, ultrapassaram em valores históricos os do sexo feminino e, assim, assiste-se hoje a um número muito superior de rapazes e homens em relação ao número de raparigas e mulheres. vamos lá ver, tomando como possivelmente verdadeira esta informação, sem certeza, veio-me à lembradeira a ideia do governo do país deste digníssimo presidente passar a exportar para o nosso país … homens. tendo em conta as taxas de natalidade portuguesas, pelas ruas da amargura, acho que seria interessante dar, obrigatoriamente, a cada mulher portuguesa livre, e em regime de mercado negro às que não são, o seu homem exportado, com a obrigatoriedade de com ele procriar. assim, fundir-se-iam os dois países. os homens chegariam em contentores, devidamente acondicionados e com a garantia de fertilidade. as mulheres portugueses limitar-se-iam a requerer junto dos serviços públicos, por meio do preenchimento da devida papelada, preferencialmente numerosa porque assim é que deve ser, a aquisição de um destes potentados. junto dos tais serviços, passado um ano, a mulher em causa seria obrigada a apresentar o fruto da fusão e, caso esse não existisse, teria direito a um tratamento grátis de fertilização, financiado pelos dois países. fantástico!

bem, sem mais demora, por aqui termino hoje esta ideia bestial, que amanhã já não acho piada.
o trabalho é muito. jinhos aos que aparecem por aqui, com afecto e carinho.
boa semana!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

tás voltando



[composição de Maurício Tapajós e Paulo C.Pinheiro adaptada às circunstâncias]



já estou a armar o coreto

e preparei aquele feijão preto

tás voltando



pus meia dúzia de brahma pra gelar

mudei a roupa de cama

tás voltando


levei o chinelo pra sala de jantar

que é lá mesmo que a mala vais largar

quero te amassar, já me perfumei

porque tás voltando


dei uma geral, fiz um bom defumador

enchi a casa de flor

que tás voltando



peguei uma praia, aproveitei, tá calor

peguei uma cor

Que tás voltando


fiz um cabelo bonito pra notar

será que queres despentear?

quero te agarrar

tou preparada

porque tás voltando



pus a tocar na vitrola o nosso som

estrearei uma camisola

tás voltando


dei folga pra empregada

mandei a criançada pra casa da avó

que tás voltando



direi que só voltarás amanhã se alguém chamar

telefone não deixarei nem tocar

quero lá, lá, lá, ia,... porque tás voltando!

lá, lá, lá, ia, ... quero lá, lá, lá, ia, ... porque tás voltando!

porque tás voltando!

domingo, 12 de setembro de 2010

informação - encerramento da época balnear


informam-se todos os frequentadores deste espaço, ocasionais ou bem direccionados, que depois de analisadas com a devida minúcia as previsões meteorológicas para o próximo fim-de-semana e ter aceite com comiseração a inexistência de tempo disponível na semana, decreto para moi-même o fim da época balnear. ontem, todos os procedimentos foram tomados no local com normalidade e sem constrangimentos - desde longos mergulhos ao estilo infantil e braçadas à cão até ao esfreganço (não gosto desta palavra, mas falta-me melhor) contínuo na areia. em casa, hoje, verificou-se o condicionamento de todos os materiais - biquini, toalha, raquetes,... - tendo em cuidado a temperatura e a humidade desejáveis, para apressadamente serem reutilizados no próximo ano.
......................................................................
nota: qualquer alteração à presente informação será alegremente comunicada, com a provável comemoração em privado, em que se incluem acrobacias circenses.

problemas de identidade e os amigos ajudam

- sou uma cabra!
- não. eu acho que tu és uma grande vaca.

sábado, 11 de setembro de 2010

um vídeo que fale por ti

adoro este homem. ele não sabe. se soubesse, dava-me um autógrafo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

desilusão

começo a ficar desconfiada das pessoas licenciadas em Filosofia. agostinho oliveira, o piloto automático, é licenciado em Filosofia. uma vez a selecção de portugal empatou com o chipre. outra vez perdeu com a noruega. será que nos balneários agostinho deu uma palestra sobre os filósofos determinantes do pensamento actual?

piadas que ouvimos pela manhã e achamos que o dia vai ser estranho

- Durão Barroso afirmou em Estrasburgo que a europa hoje está melhor do que há um ano.

- O Governo decidiu acabar com o ensino recorrente, o modelo de aulas nocturnas que funcionava há quase 20 anos. A notícia é avançada pelo jornal Público. As alternativas para os alunos que estudavam à noite são os cursos de Educação e Formação para Adultos e o Programa Novas Oportunidades.

via Antena 1

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

um dia comprimido. comprido. cumprido

iniciei o convívio laboral. antes tive três sintomas de desmaio, dores nas costas, enjoos, dúvidas entre o sair de casa e apanhar o primeiro voo em direcção a qualquer país da europa central, excepto frança; e mais coisas que não me apetece escrever, mas que indiciam uma doença muito grave. fui empurrada pela alucinação de um qualquer credor com as minhas contas ao fim do mês, com vícios incluídos e saí de casa. e entrei no meu local de trabalho. antes, respirei fundo, todavia, devagar, para o meu cérebro não reconhecer o cheiro e recordei os filmes de Frank Capra quando transformei o meu semblante no de uma pessoa boa, competente, motivada, empreendedora e disponível a fazer qualquer trabalho honesto; e assim é, mais ou menos. os colegas, aparentemente saídos de um qualquer concurso de misses, difundiram simpatia quando viram a minha imagem. real. levantaram-se, uns. deram-me palmadas na costas enquanto outras besuntaram os lábios numa das minhas bochechas, agora bronzeadas. bem-vinda ao trabalho! - aclamaram assim o meu regresso; como se tivesse estado ausente durante um ano. fiz sorrisos. durante aproximadamente um segundo. muitos segundos; foram contabilizados no decorrer do dobro de uma reunião, matematicamente falando. duas reuniões. manhã e tarde. discussão, proposta, o quê?, contra proposta, não é nada disso! propostas, também pode ser, planos, blá blá, documentos, falta-me um papel, planeamentos, blá blá, cigarro, ufa! blá blá, proposta, é assim? discussão, fogo! contra proposta, tu não estás a entender... levantamento de dados, cigarro, finalmente! cigarro, blá blá..., passa o papel, blá blá..., o que é que disseste?, b l á b l á ... b l á. até amanhã.
socorro.........................foda-se................................vou dormir!

domingo, 5 de setembro de 2010

regresso à cidade

estou de volta à cidade e a tudo o que isso implica. deixo para trás um período com poucas obrigações, relaxamento do corpo e mente, mergulhada em sentir o que durante o ano muitas vezes não se sente. mesmo assim, confesso que estou no limiar da inaptidão para mais um ano de trabalho. estou irritada, preguiçosa, mal humorada, despistada... num terror emocional à beira do apocalipse que certamente será assinalado por um grito meu quando amanhã, infelizmente, ouvir o som estridente, capaz de perfurar os meus ouvidos, do meu amigo despertador. tentarei lembrar-me que começo a bulir com dever e sempre desejosa do salário receber para me divertir, fumar e comer, rima e fica bem.

mas acho que o meu estado deprimente seria solucionado se fosse imprimida uma mudança cultural, que como é óbvio, implicaria também uma interessante alteração de hábitos. ora vejamos, portugal neste período está cheio de festinhas e festarolas quase sempre em honra de um qualquer santo ou santa, de que desconhecemos quase sempre os feitos. como muitos sabemos, ser trabalhador actualmente implica na maior parte das vezes a capacidade de possuir uma enorme dose de paciência, entre outras boas qualidades tidas por um bom samaritano. assim sendo, julgo que seria deveras interessante realizar tais festas, mas em honra dos trabalhadores e desempregados que proliferam por este país; especialmente no fim das férias dos primeiros. nestas festas motivadoras para os que vão bulir, poderíamos manter as habituais procissões e missas de forma a abençoar um ano de dar ao couro, com espectáculos de tony's a guetta's, e outras ideias que agora não consigo discernir. se conseguíssemos tornar isto possível, talvez os índices de disposição, motivação, iniciativa... no regresso ao trabalho fossem francamente melhorados. por agora, estou num estado de raiva que só me apetece partir ao murro e à cabeçada todos pratos, jarras... que tenho. sei que não é uma boa imagem. mas o salário do mês que vem compensará os estragos. e sabe bem. muito bem. ;)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

os pés na areia

percorro a praia. a pé. entre passos. sem um compasso obrigatório. tortos, os meus pés, afundam-se. na areia. amanhã choverá muito e o areal ficará mais forte. os meus pés não afundar-se-ão. no amanhã que não é amanhã mas será num amanhã, terei de os ter bem assentes ao piso. terei de saber olhar para o chão, sem me curvar, sem deixar que a areia me engula ou se agarre aos pés. o pior de tudo é sentirmos grãos de areia nos pés. fazem comichão. e quando se espalham pela casa parece que nunca mais de lá saem. há que saber lavar os pés com muita água. e torna-se imprescindível, uma toalha. para limpar. também. o rosto.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

férias

em tempo de férias é importante fazer limpezas, reorganizar documentos, limpar o pó, tirar o lixo acumulado por baixo do sofá, sacudir tapetes, respirar fundo e, pensar num novo ano de trabalho que se avizinha. já não existem conquistas efectivas. nos dias de hoje tudo é a prazo, com validade oculta ou expressamente explorada. continuemos então a desbravar este admirável mundo como se o amanhã não existisse. pois, provavelmente, nem amanhã conheceremos o fim da nossa existência. nem nunca saberemos ao certo por que existimos. entretanto deixo-vos aqui um vídeo que encontrei via notícia "Professores aprovam paródia ‘Gaiola das Cabeçudas' ", realço que os professores são brasileiros. não tenho de momento qualquer comentário a tecer. fica o registo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

um vídeo que fale por ti

I can't believe life's so complex
When I just wanna' sit here and watch you undress
This is love that I'm feeling
Does it have to be a life full of dread?
I wanna' chase you round the table, I wanna' touch your head
This is love that I'm feeling
I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
I can't believe that the axis turns on suffering
While my head burns
This is love that I'm feeling
Even in the summer, even in the spring
You can never get too much of a wonderful thing

You're the only story that I never told
You're my dirty little secret, wanna' keep you so
Come on out, come on over, help me forget
Keep the walls from falling on me, tumbling in
- This is love that I'm feeling

sábado, 13 de fevereiro de 2010

um vídeo que fale por nós

está um friiiiiiiiooooooo do caraças e só esta música é capaz de fazer mexer os meus pezinhos, com a minha querida! para aquecer depois de um banho muuuuuiiiiito quente :) bom fim-de-semana.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

mulher

imagem daqui

mulher; que adoro. mesmo num esconderijo, não escondo. mostro. o teu rosto. mulher. de querer. ser; saborosa. parte grande minha. no mundo largo teu, envolto em liberdade. vontade; de viver. com sabor a rio. doce; como doce é o teu corpo, onde mergulho e encontro a paz que há em ti.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

um vídeo que fale por ti

existem músicas que se repetem em inúmeras versões, umas distantes do original, outras nem por isso. este fim-de-semana ouvi mais uma versão desta música. contudo, não conseguiu destronar o meu apreço por esta que apresento. única. talvez pela simplicidade. aqui fica o registo e tenham uma boa semana.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O que fica depois dos violinos

Lo que queda después de los violines

Quando te esqueceres do meu nome,
e o meu corpo for apenas uma sombra
esbatida nas húmidas paredes daquele quarto.
Quando já não te chegar o eco da minha voz,
ou o entoar das minhas palavras,
peço-te então que recordes: houve uma tarde,
umas horas, fomos felizes juntos e foi estrondoso viver.
Era domingo em Hampsead, com a frágil primavera de abril
a espontar nos rebentos dos castanheiros.
Em direcção à igreja apressavam-se monjas irlandesas,
rapazes, endomingados e entorpecidos, pela mão.
Em cima, por detrás da sebe, na verde penumbra do parque,
dois homens beijavam-se, lentamente.
Chegaste tu, sem que me desse conta apareceste e começámos
---------------a falar,
tropeçando de riso entre as palavras, gaguejadas
no estranho idioma que nem a ti nem a mim pertencia.
Depois fizeste-te pequena nos meus braços
e a relva acolheu a tua escura cabeleira.
E sem demora a cinzenta escadaria, comprida e estreita,
a alfombra de cinza e gordura,
os teus pequenos e desolados seios na minha boca.
Sim, às vezes é simples e aprazível viver,
quero que te lembres, que não te esqueças
do passar daquelas horas, do seu esperançado fulgor
Também eu, longe de ti, quando perdida na memória
estiver a sede do teu sorriso, lembrarei, como agora,
enquanto escrevo estas palavras para todos aqueles
que num momento, sem promessas nem dádivas, puramente
------------se entregam;
e no desconhecimento de raças ou razões se fundem
num corpo único, mais ditoso,
para logo, aquietado já o instinto,
se separarem, cumprindo o seu destino,
sabendo que, talvez só por isso,
não foi a sua existência vã.

Juan Luis Panero
in Antes que Chegue a Noite. Fenda. 2001.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

direitos civis em portugal

[embora atrasada - 8/1/2010 - vou sempre a tempo de recordar História].

1867 - Introdução do casamento civil. Abolição da pena de morte para todos os crimes civis.
1869- Abolição da escravatura.
1910- Lei do divórcio. Com a Concordata de 1940, este virá a ser proibido a quem se case pela Igreja.
1969- Introduzido na lei o princípio «salário igual para trabalho igual».
1974- O direito de voto é concedido às mulheres sem restrições. Instituído o salário mínimo nacional.
1975- O divórcio é concedido também aos cônjuges casados pela Igreja.
1976- A contituição consagra as liberdades democráticas. Aprovada a licença de maternidade de 90 dias.
1978- Do novo Código Civil desaparece a figura do «chefe de família».
1979- Criação do Serviço Nacional de Saúde. Lei da liberdade do ensino.
1982- A homossexualidade é despenalizada.
1983- Despenalizada a prostituição.
1990- Portugal retifica a Covenção sobre os Direitos da Criança.
2001- Lei das uniões de facto é estendida aos casais homossexuais.
2007- Despenalização do aborto até às 10 semanas a pedido da mulher.

in Revista Visão. p-37. nº 879. 2010.

2010- A consagração do direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

momento espacial

num acaso encontro uma pessoa conhecida. diz-me que não tem andado bem psicologicamente. por acaso, entre palavras que se cruzam numa conversa, refiro a área de lisboa onde trabalho. sem acaso nenhum, ligam-me do meu local de trabalho a informar-me que uma pessoa, a tal, telefonou à minha procura. e o insólito, assim, aconteceu. espero que não volte a suceder.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

saltimbancos à parte, um vídeo que fale por ti

se gostasses assim tanto de mim, vinhas viver comigo.

Revolução orbital: vai-se a rosa transformando
na coisa múltipla, amante e amada, na acção
que assim a faz e nos acidentes mínimos – paisagens,
estações dos dias e das noites, dos anos da história.
Ondula no cérebro a fronteira que as margens da luz
desenham. E a rosa é uma hélice que vibra
no ar que a respirar obriga(s): torção dos pulmões,
do tronco e do sexo, dos nomes e dos vocativos
que se respondem: como um coração que deflagra
a rosa faz do ar que te falta a terra de onde nasces
e o chão sobre que danças.

Manuel Gusmão
in Dois Sóis, A Rosa – A arquitetura do mundo. Editorial Caminho. (1990/2001)

facto

o início do ano está a começar mal, com insónias e conversa com saltimbanco* perdido num vazio de afectos. disco formatado para o mesmo propósito, do calhau, sem propósito que valha. descreve sentimentos como quem fala da decoração da casa de banho e move-se neles como um baloiço entre (um porto tolo) aqui e acolá e, porque não, mais além. tanta palavra largada para o espaço. valeram-me os cigarros. esses raramente me enganam. tal como os saltimbancos.
vou olhar para as estrelas e pensar que novos dias virão; entretanto pode ser que o sono se encoste a mim e deixe-me finalmente sonhar.

*saltimbanco- s.m. 1. Acrobata ou ginasta que se exibe pelas feiras, festas, etc. 2. Charlatão de feira. 3. Fig. Indivíduo de opiniões versáteis.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

lhasa de sela

ontem o mundo ficou um pouco deserto sem Lhasa de Sela.
uma das minhas músicas preferidas que fique aqui durante muito tempo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

uma imagem que fale por ti

Jeanne Moreau
imagem daqui
Jeanne Moreau é uma das grandes actrizes francesas. Orsen Wells disse várias vezes que a considerava a melhor actriz do mundo. Chico Buarque dedicou-lhe uma canção. e ela canta e encanta aqui.
........................................................................................................................................................................
com a voz dela em fundo apetece-me fazer algo que faço de quando em vez ou de vez em quando, segurar um livro e abrir ao acaso, e no acaso deixar as palavras virem ao meu encontro. desta vez escolhi O Ofício de Viver, de Cesare Pavese, editado pela Relógio D'Água. abri o livro e encontrei-me na página 58:
.........................................................................................................................................................................
"Poder-se-ia, talvez, ver o real, se nos instalássemos numa prisão subterrânea, onde restasse apenas o mergulhar pensativamente e dilatarmo-nos na água. A convivência seria apenas o resíduo irredutível da sociedade, comparável à casaca e à habituação dos sentidos - ver um muro, ouvir uma voz, respirar o céu. O substracto da vida de alguém tornado presente e penetrado com firmeza, dado que quem quer que seja pode chegar àquele local e está lá sempre alguém, mesmo se é um outro; e a vida consiste apenas em enfeitar, de maneira vária, o eterno real. O esforço consistiria em atingir imediatamente a adaptação, sem desperdício de restos.
Descobre-se assim que, na vida, quase tudo é passatempo; daí o propósito, formulado pelo prisioneiro, de viver, se voltar à liberdade, como um eremita; chupando o suco do passatempo, extraindo-lhe todo o miolo. É o propósito formulado por todos os prisioneiros. E a vida passada surgiria como descuidada e febril, por causa das pretensões desordenadas que o viciaram. Aqui, o pensamento, reduzido à superficialidade, revela quanto é extravagante o vivermos por nossos meios, lutando e fazendo projectos. Nunca esquecer que, por baixo de tudo, o homem está nu. Há um caso em que nos despimos completamente e nos mostramos e é para fazer a coisa menos sensata e mais vergonhosa da vida.
Os pontos são: o real é uma prisão onde, precisamente, vegetamos e sempre havemos de vegetar; e tudo o resto, o pensamento, a acção, é passatempo, tanto interior como exteriormente. Importa, portanto, possuir bem o real, visto ser efémero tudo o resto. Também porque, se não existisse a convivência, como foi o caso de outrora, não desfrutaríamos, sequer, do passatempo pensamento-palavra - seríamos como árvores. Repito, eis o drama: dizer mal do pensamento-palavra, e, por conseguinte, da vida-passatempo, chorando em silêncio tudo o resto e exaltando, por raiva, o real, sempre possível em qualquer de nós como segregação integral."

sábado, 2 de janeiro de 2010

novo ano

este é o meu primeiro post de 2010 logo, deverei pedir um desejo. algo que quero muito para este novo ano que se inicia. penso e rapidamente o desejo aparece, já repetido em outras ocasiões. mas os desejos são assim, pouco mutáveis, estão-nos como que agarrados à cabeça entre pilares e, raramente, trocamos por outros que não pertencem à nossa estrutura; ao nosso contexto vivencial. pilares esses que nos sustentam, que servem de alimento ao nosso crescimento. são eles o campo afectivo, o campo da saúde e o campo profissional e consequente possibilidade de sustentação financeira que permite-nos com lucidez enriquecer do ponto de vista pessoal, com as inúmeros horizontes que abre ao nosso olhar sempre resplandescente por novas aquisições materializáveis. nunca encontrei ninguém que não o desejasse, apesar dos apelos ao não consumismo por outros que, no fundo, também o são, consumidores, talvez a um nível inferior ou mais selectivo - quem nunca desejou mais dinheiro que aqui se afirme, pois seria o meu primeiro encontro.
assim, os meus desejos para este novo ano que se inicia, e marca o fim de uma década, foram e são vulgares, com a única réstia de originalidade de possuir um animal doméstico que circunda aqui por casa e, claro que sim, desejar-lhe um bom ano e, ao contrário do que é horrivelmente usual, não me abandone pois, gosto muito da sua presença. fiel.
ano novo, vida nova? ainda não notei nada. deve ser da colheita pouco anterior ao abril de 74.