quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

roda vida

" (...) a quem talvez não vejamos mais, ou talvez sim, porque a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginávamos silêncios, e súbitos regressos quando pensávamos que não voltaríamos a encontrar-nos. (...)"

José Saramago. in A viagem do elefante.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

kate winslet. in leitor de stephen daldry.
hoje estive parte da madrugada a ver a cerimónia dos óscares, comentada por dois tipos sobre o efeito de xanax. não cheguei a ver a katie nem o sean penn... todavia aqui fica o meu reconhecimento, de que pouco ou nada vale, a estes premiados. a minha actriz preferida é a meryl streep mas, da nova geração, sem dúvida, a katie encontra-se entre as melhores. merecia após seis nomeações, com boas representações sem qualquer resultado, este prémio. agora vou ali fumar um cigarro e... talvez dormir.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

área vocabular de carnaval

máscaras
serpentinas
papelinhos
fatos
enfeitos
folia
alegria
corsos
água
entrudo
crítica
desfiles
alegórico
samba
música
veneza
bailes
controverso
três
tudo
[ou nada, para mim]
...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

hoje durante a tarde apeteceu-me ir até ao anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian, fechar os olhos, esticar as pernas, relaxar o corpo e apanhar todos os raios de sol possíveis. abasteci-me. e transporto-os no meu olhar.

palavras ausentes

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

pensar II

"549 Tudo o que aconteceu, teve de acontecer, é assim bem absurdo pensar-se que podia não ter acontecido - excepto para antes de ter acontecido, que era quando existia, na nossa ignorância, a hipótese de poder ter acontecido uma coisa diferente. A verdade é que, se podia não acontecer, teremos de nos perguntar porque é que não pôde. O que aconteceu foi o remate de milhentas circunstâncias, entre elas possivelmente a escolha livre de um ou muitos «alguéns». ora essa coordenação, porque aconteceu, tinha de acontecer exactamente por isso, porque não pôde deixar de acontecer. Se o tão célebre nariz de Cléopatra - que parece não ser célebre senão por isso - tivesse outro feitio, a História seria outra. Mas dizê-lo é dizer que tal nariz teve esse. Quando dizemos que se tivéssemos tido saúde e outra educação e o mais, dizemos precisamente que tivemos de ter tudo o que tivemos. Em cada circunstância da vida é normalmente possível decidirmo-nos por uma entre milhentas opções. Mas tomada uma, ela teve de ser não apenas tomada, por não ser já possível tomar outra, mas porque, se a tomei, foi por no momento em que a tomei eu entendi ser a melhor e portanto ter de a tomar, ainda que tivesse sido a pior.
Tudo isto está certo. E tudo isto está errado. Porquê? Porque sim. Não sei."

Vergílio Ferreira in Pensar

factos


entre debates e batinas...Hatshepsut ascende ao trono do egipto em 1430 a.c, tornando-se na primeira mulher faraó da história; desconhecida por muitos, teve um papel muito superior ao de cleópatra. governou durante 22 anos com uma força de carácter extraordinária, contra ventos e marés. ostentou todos os símbolos tradicionais de poder dos faraós, entre os quais uma barba falsa, que tinha o mesmo significado da coroa para os reis. destacou-se em muitos aspectos, como no renascimento da expressão artística na altura.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Um vídeo que fale por ti

When Im with you baby, I go out of my head
And I just cant get enough, I just cant get enough
All the things you do to me and everything you said
And I just cant get enough, I just cant get enough

[apetece-me fazer uma coisa que gosto muito, muito...tutututaruraru...]

pensar

nos últimos tempos tenho pensado demasiado na minha vida. sem pensar se isto é bom ou mau, estou em fase pause, com o dedo pressionado sobre o rewind de momentos marcantes que a compuseram, do que já fiz ou do que já poderia ter feito ou do que ainda poderei fazer. esta actividade é, por vezes, constrangedora, em particular quando alguns ses nos corroem, perspectivando que o meu estado, agora imediato poderia ter sido outro, melhor e a partir do qual obteria mais bem estar. todavia, se aquele se e mais o outro tivesse deixado de ser um se, estaria certamente neste mesmo ponto de questionamento, pois certamente outros ses apareceriam, obviamente embrulhados com outros sonhos sempre apaixonados. e viver de forma apaixonada também é tramado...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

palavras perdidas

num dia em que se fala, e bem, de evolucionismo em oposição à teoria do criacionismo... num outro campo, considero que em pilares basilares para o equilíbio do indivíduo e sequente, da sociedade, estamos não em regracionismo mas em plena regressão. ou em fase de mutação... e não sou só eu que fala sobre isto. talvez seja um pequeno passo para a acção?! ou não.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

sem título

Lá estava ela com o olhar perdido sobre o tempo.
Lá estava ela perdida no espaço.
A recuar, a avançar, a recuar, a
avançar. A inventar palavras, a
desculpar palavras.
À procura de saídas, à procura de.
À espera de poder correr entre as marés,
à espera de avançar solta pelas
nuvens, à espera de ser feliz.
E lá estava ela. Presente ou ausente.
Como se ambas fossem uma só. Ou não
houvesse espaço nem tempo que pudesse
derrubar as certezas quando guardadas
cá dentro.

Eu aqui me encontro. Querendo saber
navegar em marés turbulentas sem que o
corpo dê sinais de mal-estar. Mas não
sou peixe na água. Nem marinheiro de
tempestades. E ainda não me adaptei à
vida.

Tu aqui me encontrarás. Certezas,
guardo-as cá dentro. Para que o tempo
da ausência não as leve com ele. Certezas,
sim, de nós. Da nossa
amizade.

Ana Teresa Silva in dizer-te

mascarade

lee miller

lesboaparty. mascarade. 21 de fevereiro de 2009. lxfactory. 23h30
não vou. chádicidi. não gosto de máscaras.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

chego

chego a casa e dispo-me do pó dos dias escuros. a roupa que esteve ao sol cola-se à minha pele; frágil, o casaco com que me agasalho. esqueço-me. de fazer o jantar e não como. não tenho fome. de mim em ti, quente; lareira. em que só me sinto. bem. sem. emocionar-me, numa imagem que vejo, e mais uma e outra mais além. juntas, recordam. te. quero. perto. junto aos meus pés, uma botija. afaga-me. cobre-os de calor. e assim fico. a mim.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

lee miller
com o frio que está, apetece-me ficar eternamente na banheira. com água. quente. e sem aquela fotografia, ali. ao fundo. encostada à parede, quase colada, da minha casa de banho.

Tu tens um medo

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles

domingo, 8 de fevereiro de 2009

descrição ou o inverso

desço as escadas em direcção ao primeiro café da manhã, já tarde. velhas amontoam-se, riem-se do tempo passado, preocupa-as o presente, têm muito medo do futuro. sem tempo, dou o último gole, pago e saio porta fora. a chuva entra pelo casaco. fujo dela em corrida até à estação do metro, onde pago a minha viagem, também, para a uma sala de cinema de lisboa. revisito antigas estações que me faziam imaginar histórias – laranjeiras, alto dos moinhos, parque…, quando levanto o olhar do livro que tento ler.
duas senhoras sentam-se ao meu lado (sempre gostei de ouvir histórias) com quase sessenta anos cada, mas só uma constrói frases sobre os seus próprios pés. uns pés que são diferentes dos outros, outros entende-se nossos, humanos. para os pés diferentes já comprou utensílios, cremes, mezinhas… atira-os para a frente, aponta e por breves momentos penso que irá descalçar-se. saem.
continuo a minha leitura até ao saldanha. já não chove. vou até à bilheteira adquirir em troca de uma quantia monetária um papel ranhoso que permitirá o meu acesso à sala 1. olho para o relógio. tenho ainda 20 minutos. tomo um chá, entro numa livraria que requer a minha promessa de não comprar nada e na casa de banho, em espera, duas mulheres conversam sobre a necessidade de introspecção que têm sentido nos últimos meses. compreendo-as...
entro na sala de cinema, para minha admiração, cheia. alguns idosos. vejo estreias e antestreias e delicio-me com o filme milk, de Gus Van Sant, em particular com a excelente interpretação de Sean Penn – magnífico.
regresso de metro, e refeita de convicções e de convictos. afinal, vale a pena ter esperança.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

uma imagem que fale por ti

cat power

não me apetece fazer nada. vou ali ler umas coisas, beber um sumo e já volto.

Lisa Ekdahl - "vem vet"

o refrão diz qualquer coisa como 'quem sabe'. sei que não sei muito de sueco... mas que um fim-de-semana bem aproveitado até ao limite vale mais do que muita coisa desinteressante que fazemos durante um ano. por isso, bom fim-de-semana aos que por aqui passam ou param.

pregão: a lisa é linnnnnnddddddaaaa e canta bem.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

a terra

no passar das ruas, em que nós passámos, recordo os passos que demos, trocados entre risos de felicidade comprometida no nosso afecto, cúmplice. na altura. nas alturas. agora, pousada na planície não te vejo. não te procuro nem te quero encontrar. escavo a terra livre de ninguém que nem de mim é. e tudo o que encontro são vestígios de vida. outra. coloco a terra como a encontrei e sigo em frente.
Perfil

De passagem,
como a véspera imprecisa
do poema,
principia em mim
a planície agreste
da solidão dos outros.
E a não ser
o silêncio poente
dos meus olhos,
tudo o resto me diz
que sou um pássaro
a voar, inconsequentemente,
no sentido das palavras.

Graça Pires, in Poemas

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

solitária

tenho passado os dias comigo. talvez seja o frio que me faça por estes dias fechar a porta, e mantê-la encerrada a quem quer que toque à campainha. optei em estar. comigo. julgo, ser um direito que todos deveriam implantar a si próprios. existem alguns que fogem a sete pés desse direito, outros, como eu, necessitam dele como água para a boca. de estar. comigo. com as minhas coisas, como gosto de chamar, os livros, os filmes, os cd’s, os interesses que se reencontram ou encontram, esquecidos alguns há largos anos, cheios de pó a marcar o esquecimento a que foram remetidos numa qualquer estante da casa, encostada a uma parede, por estes dias, humedecida pela chuva que insiste em cair lá fora, e bem. talvez seja esta a única coisa de que realmente goste no inverno – da chuva; de senti-la cair sobre os meus cabelos e a escorrer-me pela cara. também por isso, raramente transporto chapéu; o gorro do casaco, chega.
esta vontade de estar. comigo. não é recente. sempre fui assim, principalmente nesta estação do ano. por vezes mal compreendida, outras ainda, confundida entre solitária e o desejo de solidão. todavia, solitária não é sinónimo de solidão…garanto que solitário não é necessariamente algo só, sozinho, desacompanhado, deserto, ermo, ou desabitado, numa pesquisa rápida que fiz. gosto de estar só mas isso não significa que sinta solidão ou que não goste de comunicar com os outros… significa, no meu caso, que saio menos, que leio mais, que reflicto e penso mais, que tenho menos pachorra para coisas banais… significa que tenho mais tempo. para mim. afinal, também mereço!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ideia

há dias em que não tenho nada a dizer. escrever. apetece-me ficar sossegada, calma e fazer o que bem me apetece do meu tempo. livre. já platão falava sobre a importância do lazer para o bem estar do indivíduo. dirão alguns que era uma utopia. digo eu, uma ideia não concretizável. para além do mais, nos dias de hoje em que escorrem notícias sobre despedimentos - ninguém quer ou deseja trocar tempo livre pelo salário que o emprego lhe possibilita. desejaríamos, pelo contrário, ter um pagamento pelo lazer. outra ideia. que nunca virá. como outras, que nunca deixaram de ser isso mesmo. ideias, emanharadas em palavras.

palavras ordenadas

primeira palavra. segunda palavra. terceira palavra. quarta palavra. quinta palavra. sexta palavra. oitava palavra. nona palavra. décima palavra. décima primeira palavra. décima segunda palavra...