quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

solitária

tenho passado os dias comigo. talvez seja o frio que me faça por estes dias fechar a porta, e mantê-la encerrada a quem quer que toque à campainha. optei em estar. comigo. julgo, ser um direito que todos deveriam implantar a si próprios. existem alguns que fogem a sete pés desse direito, outros, como eu, necessitam dele como água para a boca. de estar. comigo. com as minhas coisas, como gosto de chamar, os livros, os filmes, os cd’s, os interesses que se reencontram ou encontram, esquecidos alguns há largos anos, cheios de pó a marcar o esquecimento a que foram remetidos numa qualquer estante da casa, encostada a uma parede, por estes dias, humedecida pela chuva que insiste em cair lá fora, e bem. talvez seja esta a única coisa de que realmente goste no inverno – da chuva; de senti-la cair sobre os meus cabelos e a escorrer-me pela cara. também por isso, raramente transporto chapéu; o gorro do casaco, chega.
esta vontade de estar. comigo. não é recente. sempre fui assim, principalmente nesta estação do ano. por vezes mal compreendida, outras ainda, confundida entre solitária e o desejo de solidão. todavia, solitária não é sinónimo de solidão…garanto que solitário não é necessariamente algo só, sozinho, desacompanhado, deserto, ermo, ou desabitado, numa pesquisa rápida que fiz. gosto de estar só mas isso não significa que sinta solidão ou que não goste de comunicar com os outros… significa, no meu caso, que saio menos, que leio mais, que reflicto e penso mais, que tenho menos pachorra para coisas banais… significa que tenho mais tempo. para mim. afinal, também mereço!

Sem comentários: