fui ouvir este grande senhor na culturgest em janeiro e fiquei sua admiradora. na sala ecoaram entre as músicas vozes de viva a causa palestiniana, dadas as notícias que tinham surgido uns dias antes sobre os ataques militares protagonizados pelo governo israelita. Ibáñez, seguro a uma simples guitarra tem feito de muitos poemas que falam de liberdade, de exílio, de luta... canções deliciosas e poderosas. para Vasquez Montalbán, Ibáñez pratica constantemente a provocação cultural, a crítica dura e directa contra os inimigos sucessivos da emancipação individual e social. hoje apetece-me recordá-lo.
Livrai-me, Senhor/De tudo o que for/Vazio de amor/ Que nunca me espere/Quem bem não me quer/(homem ou mulher)/ Livrai-me também/De quem me detém/E graça não tem/ E mais de quem não/Possui nem um grão/ De imaginação. "Libera-me". Carlos Queiroz
terça-feira, 30 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
desabafo
afirmo aqui que a morte do suposto rei da pop não me é totalmente indiferente mas quase é. ou seja, quero lá saber se o homem morreu assim, assado ou mesmo cozido. quero lá saber se tomava medicamentos ou não. ou se sempre isto ou aquilo. se alguém nos próximos cinco minutos disser qualquer coisa como mai.... juro que lhe atiro com a primeira coisa que tiver à mão. não há pachorra! fico mais preocupada com as condições de sobrevivência e com as mortes bárbaras a que são submetidas muitas mulheres neste admirável mundo do que com a morte de uma pessoa que nem musicalmente fez parte dos meus discos pedidos. reconheço-lhe valor numa determinada área. mas tenham dó!!!! o mundo não é só isto.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Pequenas coisas
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
in Escrito a vermelho.Campo das Letras.1999
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
in Escrito a vermelho.Campo das Letras.1999
quinta-feira, 18 de junho de 2009
o verão está cá
o verão chegou, mas ainda não está cá. porque dizem os entendidos que tudo deverá ser marcado com data e cerimónia. assim, está um calor que não se aguenta mas... ainda não estamos no verão. dizem que já parece...- não gosto da palavra parece. a experiência já me ensinou que as aparências iludem e o tempo tem demonstrado, todavia, contra as evidências não há argumentos. o verão está aí. bora lá preparar os acessórios para a praia e remover definitivamente as camisolas do roupeiro. e ser radical, porque não? hoje já fiz canoagem, escalada e dei uns mergulhos no mar calmo às 5 da tarde. só não me atirei de uma ponte agarrada a um elástico porque... tive medo, confesso. não há dias perfeitos.
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
digo asneiras
as pessoas vagueiam nas suas vidinhas como se fosse o único motivo de interesse neste mundo. não têm pachorra para ouvir, partilhar nem emitir uma boa risada a uma piada foleira. andam demasiado viradas para dentro, como morcegos que, em alguns casos, se deixam voar à noite transfigurados. estas pessoas, aborrecem-me. com um copo de vinho na mão e um cigarro na outra, observo-as, algumas. e também eu não tenho palavras perante discursos tão imponentes do eu - eu fiz, eu sou, eu e mais eu. e eu estou aqui para ser feliz – que slogan mais patético que propagandearam às pessoas nos últimos anos. sobre este aspecto, concordo que devemos procurar a nossa felicidade e isso implica em primeiro lugar rodearmo-nos de pessoas e locais que nos façam sentir bem, provoquem uma sensação de bem-estar. mas isso não é a minha concepção de felicidade. é bem-estar. felicidade, para mim, claro, é o estado supremo da nossa existência, é o tecto, o nosso céu, presente em breves instantes, por vezes segundos. se desfrutámos de uns cinco momentos de felicidade, ao longo da nossa existência, podemos dar-nos, sem dúvida, por felizardos.
a vida não é só cor-de-rosa como só preta. querer olhar para ela só de uma cor é levar-nos ao abismo, à desilusão, ao desespero, à depressão. assim, vamos lá por as coordenadas e os memorandos em acção e verificar que afinal todos nós temos momentos bons, assim-assim e menos bons. faz parte da vida - roxa, verde, amarela, azul, laranja, vermelha... e estamos aqui para sermos felizes, às vezes e infelizes, outras vezes, também. agora, não me atirem com a felicidade à cara, como quem come tremoços pois, começo a dizer asneiras!
a vida não é só cor-de-rosa como só preta. querer olhar para ela só de uma cor é levar-nos ao abismo, à desilusão, ao desespero, à depressão. assim, vamos lá por as coordenadas e os memorandos em acção e verificar que afinal todos nós temos momentos bons, assim-assim e menos bons. faz parte da vida - roxa, verde, amarela, azul, laranja, vermelha... e estamos aqui para sermos felizes, às vezes e infelizes, outras vezes, também. agora, não me atirem com a felicidade à cara, como quem come tremoços pois, começo a dizer asneiras!
terça-feira, 9 de junho de 2009
um vídeo que fale por ti
apetece-me ouvir histórias. transportá-las. agarrá-las. cortar as palavras desnecessárias. e depois valer-me delas; das histórias. na vida. que se repete, muitas vezes em círculos.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
os caracóis e as carpas têm cornos
os caracóis e as carpas têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carpas e os caracóis não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracoias e os carpos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os carapoicos e os parcos não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carapaias e os porcos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracoicos e as parras não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carassaias e os parcas têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracorpos e as praias não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracaias e os poicos têm
vês
Ana Hatherly
in um calculador de improbabilidades. Quimera. 2001
vês, eu não te dizia?
as carpas e os caracóis não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracoias e os carpos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os carapoicos e os parcos não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carapaias e os porcos têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracoicos e as parras não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as carassaias e os parcas têm cornos
vês, eu não te dizia?
os caracorpos e as praias não têm cornos
vês, eu não te dizia?
as caracaias e os poicos têm
vês
Ana Hatherly
in um calculador de improbabilidades. Quimera. 2001
quinta-feira, 4 de junho de 2009
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