sexta-feira, 12 de junho de 2009

digo asneiras

as pessoas vagueiam nas suas vidinhas como se fosse o único motivo de interesse neste mundo. não têm pachorra para ouvir, partilhar nem emitir uma boa risada a uma piada foleira. andam demasiado viradas para dentro, como morcegos que, em alguns casos, se deixam voar à noite transfigurados. estas pessoas, aborrecem-me. com um copo de vinho na mão e um cigarro na outra, observo-as, algumas. e também eu não tenho palavras perante discursos tão imponentes do eu - eu fiz, eu sou, eu e mais eu. e eu estou aqui para ser feliz – que slogan mais patético que propagandearam às pessoas nos últimos anos. sobre este aspecto, concordo que devemos procurar a nossa felicidade e isso implica em primeiro lugar rodearmo-nos de pessoas e locais que nos façam sentir bem, provoquem uma sensação de bem-estar. mas isso não é a minha concepção de felicidade. é bem-estar. felicidade, para mim, claro, é o estado supremo da nossa existência, é o tecto, o nosso céu, presente em breves instantes, por vezes segundos. se desfrutámos de uns cinco momentos de felicidade, ao longo da nossa existência, podemos dar-nos, sem dúvida, por felizardos.
a vida não é só cor-de-rosa como só preta. querer olhar para ela só de uma cor é levar-nos ao abismo, à desilusão, ao desespero, à depressão. assim, vamos lá por as coordenadas e os memorandos em acção e verificar que afinal todos nós temos momentos bons, assim-assim e menos bons. faz parte da vida - roxa, verde, amarela, azul, laranja, vermelha... e estamos aqui para sermos felizes, às vezes e infelizes, outras vezes, também. agora, não me atirem com a felicidade à cara, como quem come tremoços pois, começo a dizer asneiras!

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