segunda-feira, 27 de abril de 2009

A presença mais pura

Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»

A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»

José Tolentino Mendonça
in A Que Distância Deixaste o Coração. Assírio & Alvim. 1998.

domingo, 26 de abril de 2009

acontece


a 6ª edição do festival indie. entre 23 de abril e 3 de maio. a decorrer no fórum lisboa, no cinema londres, no cinema city classic alvalade, no cinema são jorge e no museu oriente.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

um vídeo que fale por ti

apetece-me ir à manifestação comemorativa dos 35 anos do 25 de Abril; a iniciar-se pelas 15h30m no marquês de pombal e a finalizar no rossio. apetece-me e vou.

liberdades


liberdades e/ou liberdade? minha. tua. de todos? a minha liberdade não pode ser a tua prisão. e a tua liberdade jamais poderá ser a minha limitação; só se a minha liberdade invadir a tua – construída por ti, sem decretos. tu e eu determinamos por actos a nossa liberdade, sem papéis. tu e eu conquistamo-la todos os dias. eu livre. tu livre. todavia, presos. à liberdade individual, que bem poderá ser e só a de um governante. parece fácil? mas não é… 25 de Abril, sempre!

terça-feira, 21 de abril de 2009

cada vez

cada vez que te aproximas. dás um passo e outro passo - passo-me; o meu corpo estremece. o meu coração bate cada vez mais rápido e a seiva vermelha que me percorre, corre em montanha russa no meu enamorado corpo. pelo teu. desejo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

um vídeo que fale por ti

sexta-feira à porta e tempo de descarregar (ou carregar) o stress, as angústias ou, simplesmente, aquecer com vários passos de dança contra o frio que se fez sentir. como gosto de ver dançar a shakira, apetece-me imitá-la, com vários movimentos de corpo; talvez emagreça. e assim preparo a minha entrada no fim-de-semana. na tentativa de um sorriso.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

Maria Teresa Horta

sábado, 11 de abril de 2009


estou em plena zona oeste. num esconderijo quase rodeado de mar, atlântico; quase no infinito. onde deito o corpo e por vezes, longamente, deixo (-me) ficar. a visão. na paisagem. em memória transporto e a que recorro naqueles dias, nos tais dias, cinzentos. cinzentas e brancas as gaivotas que voam no firmamento. e eu, não consigo ficar imóvel sem pensar no admirável mundo. este; natural. boa páscoa.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

minha companheira de estrada

aqui faço a minha homenagem à cantora que mais me acompanhou. sempre gostei muito dela; ela também de moi, só que não sabe (que sou sua fã). é bom vê-la a cantar para mim... "tutututu i just sing for you". apetece-me oferecer-lhe um ramo de malmequeres por todas as músicas produzidas "across the lines"; "crossroads"...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

sem título

quero fugir.
------correr
---------por entre montes
-----------------------e planaltos.

------subir escadas
----------descer ruas
------------sentir-me cansada
--------------------------suar, ofegar.

e depois...
-------levemente
-------------parar.
-------------pensar.
---------------no que fiz.
---------------por onde andei.
---------------nos lugares que percorri.

---------------e dos amigos que conheci,
---------------------aqueles a quem timidamente me dei,
-----------------------------quantos perdi?
-------------------------------------quantos deixei?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

um vídeo que fale por ti

When I'm ridin' round the world
and I'm doin' this and I'm signing that
and I'm tryin' to make some girl
who tells me baby better come back later next week
'cause you see I'm on losing streak.
I can't get no, oh no no no.
Hey hey hey, that's what I say.

I can't get no, I can't get no,
I can't get no satisfaction,
no satisfaction, no satisfaction, no satisfaction.

hoje não me apetece ouvir nem rádio nem tv. vou sair de casa. mais uma vez, não sentir a satisfação de viajar de comboio. mas caminhar longas distâncias e talvez meter-me no carro. simplesmente, deixar-me ir.

domingo, 5 de abril de 2009

eu mudo. tu mudas. nós mudamos. eles mudam?

os tempos são de mudança para lá da esfera particular. ouvimo-lo diariamente. mudanças económicas. mudanças no estilo de vida. mudanças políticas. mudanças ambientais… mudanças que afectam ou afectarão as nossas vidas; existem, contudo, uns tais que pensam que mudar é algo como fazer um clique e já está. os tempos exigem-nos atitudes para lá do sofá roto, da televisão plasma e do carro XPTO; mais actividade e racionalidade individual e colectiva, dizem outros. sem dúvida, em vários domínios da sociedade estamos em momentos de viragem, a lamentarem-se em alguns casos por tardios. mas, para que a mudança ocorra é preciso que cada um de nós encontre razões para a fazer pois, se não forem apresentados motivos ou exemplos vindos de cima, as pessoas não a fazem, mesmo que lhes seja dito que é fundamental.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

manifestar

Eu manifesto [-me]
Tu manifestas [-te]
Ele/Ela manifesta [-se]

Nós manifestamos [-nos]
Vós manifestais [-vos]
Eles/Elas manifestam [-se]

a aprendizagem do verbo manifestar decorreu nos bancos de escola, se bem se lembram. mas este, sem sufixos, revela o acto de manifesto como uma forma de expressão ligeira de alguma coisa, não a manifestação pública. como em portugal se quer - ligeirinho e educadinho. na prática, tais actos ou participação nos mesmos requerem algum recato, educação e ordem; de preferência, tudo na forma enformada de um país demasiado conservador e que faz cara feia a quase todo o tipo reivindicação ou livre expressão de opinião. agora, com a vossa licença vou retirar-me para gritar contra a globalização. obrigadinha pela atenção. fiquem em paz e abençoad@s.