Livrai-me, Senhor/De tudo o que for/Vazio de amor/ Que nunca me espere/Quem bem não me quer/(homem ou mulher)/ Livrai-me também/De quem me detém/E graça não tem/ E mais de quem não/Possui nem um grão/ De imaginação. "Libera-me". Carlos Queiroz
quarta-feira, 25 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
vários ângulos
paralela comigo. ou em momentos perpendiculares, de extensão gradual em retas desconhecidas. entendíveis, por certo. encontrei-te. a meu lado. em melodias sinfónicas com números de intensidade crescente. formámos vários ângulos, semirretas em planos que somos. várias foste obtusa. tentei ser aguda. elaborámos re(p)tos. e já estivemos rasas. mas no essencial continua a ser giro. isto é, completo. sem transferidores.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
a extinção do es
- tás bem, não tás?
- tou bem, sim. e tu, tás a fazer o quê?
- tou com uns projetos, com pessoal louco mas tá a correr bem, tou a sentir que é a minha oportunidade, tou mesmo, pá. e tu, que tás a fazer agora?
- tou no tar, tá-se bem tar-se numa atitude simples de aprendizagem de tar-se, meu, muito além mesmo, é algo vanguardista tar-se numa de.. não sei bem do quê mas tá-se bem - tás a ver, tás a ouvir, tás a sentir,... tás meu?
-iá, porreiro, parece que tás bem. tar-se simplesmente... como é que descobriste essa onda do tar?
- descobri, simplesmente, primeiro com umas pesquisas na internet depois fui conhecendo pessoal que também tava como eu, numa de, assim como eu de tar e, começámos a tar todos juntos. só numa de tar, comigo, contigo, connosco... tar em cafés, em bares, na rua, tás a ver ?
- tou tou. a perceber. olha, agora tou com pressa. tenho de ir, tá?
- tá tá. fica muito bem meu, tá bem?
- tá tá. tu também, tá?
- tá tá tá. tá?
- tá.
- tou bem, sim. e tu, tás a fazer o quê?
- tou com uns projetos, com pessoal louco mas tá a correr bem, tou a sentir que é a minha oportunidade, tou mesmo, pá. e tu, que tás a fazer agora?
- tou no tar, tá-se bem tar-se numa atitude simples de aprendizagem de tar-se, meu, muito além mesmo, é algo vanguardista tar-se numa de.. não sei bem do quê mas tá-se bem - tás a ver, tás a ouvir, tás a sentir,... tás meu?
-iá, porreiro, parece que tás bem. tar-se simplesmente... como é que descobriste essa onda do tar?
- descobri, simplesmente, primeiro com umas pesquisas na internet depois fui conhecendo pessoal que também tava como eu, numa de, assim como eu de tar e, começámos a tar todos juntos. só numa de tar, comigo, contigo, connosco... tar em cafés, em bares, na rua, tás a ver ?
- tou tou. a perceber. olha, agora tou com pressa. tenho de ir, tá?
- tá tá. fica muito bem meu, tá bem?
- tá tá. tu também, tá?
- tá tá tá. tá?
- tá.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Carta (Esboço)
Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação ;
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.
Nuno Júdice. in Poesia Reunida 1967-2000. Dom Quixote.
Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação ;
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.
Nuno Júdice. in Poesia Reunida 1967-2000. Dom Quixote.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
já chega
tenho vontade de escrever. deixei o caderno e a caneta intocáveis em cima da mesa, recolhi o banco de madeira onde habitualmente me sento e dirigi-me para aqui, para onde tu estás agora, sim. tentei escrever uma mensagem nova, com algum sentido. mas não consegui. uma e outra vez e nada. talvez se eu escrevesse o que fiz hoje, mais o que senti e observei, fosse deveras interessante para quem aqui aparece. tu. e para quê, afinal? qual o objetivo (não gosto da palavra propósito) de quem quase diariamente expõe as suas tripas e movimentações da bílis? respeito, de peito. mas de coração não me apetece. fazer deste blogue o mesmo poço de rabiscos com linhas curvas e rectas que presenteiam o meu caderno a papel. não. aqui invento, por vezes, o que ao papel não posso e não quero. quero escrever. preciso. talvez regresse aqui mais vezes. por hoje já chega.
terça-feira, 3 de julho de 2012
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