quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

sem título

Lá estava ela com o olhar perdido sobre o tempo.
Lá estava ela perdida no espaço.
A recuar, a avançar, a recuar, a
avançar. A inventar palavras, a
desculpar palavras.
À procura de saídas, à procura de.
À espera de poder correr entre as marés,
à espera de avançar solta pelas
nuvens, à espera de ser feliz.
E lá estava ela. Presente ou ausente.
Como se ambas fossem uma só. Ou não
houvesse espaço nem tempo que pudesse
derrubar as certezas quando guardadas
cá dentro.

Eu aqui me encontro. Querendo saber
navegar em marés turbulentas sem que o
corpo dê sinais de mal-estar. Mas não
sou peixe na água. Nem marinheiro de
tempestades. E ainda não me adaptei à
vida.

Tu aqui me encontrarás. Certezas,
guardo-as cá dentro. Para que o tempo
da ausência não as leve com ele. Certezas,
sim, de nós. Da nossa
amizade.

Ana Teresa Silva in dizer-te

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