343 Não penses muito, para que pensar? Fatiga tanto. E não há verdade nenhuma adquirida de uma vez para sempre. A gente sabe-
-a e fica naturalmente contente de sabê-la e de julgar que nenhuma outra a vai render. Mas depois esquece. Arruma-se então na estante das verdades como um sepulcro. De longe em longe há quem a visite para pasmar de ter existido ou olhar mesmo com simpatia tolerante como se olha uma fotografia velha e se pergunta - de quem será? E se acontece, por capricho de morte, que nem esquece nem se arruma, é porque ainda serve para se matar gente ou morrer em nome dela. É a altura de outros virem e pasmarem por se ter morrido pelo que não existe, que é aquilo, aliás, por que mais se morre. Não morras. Olha apenas e espera. Há tanta sabedoria no olhar. Não se mata nem se morre pela sabedoria. podem é matar-te os outros que não a têm. Sê simplicidade de existir. E terás existido tudo o que vale a pena para seres humano. Porque só se existe pela vida que está em ti e nos outros e na luz e na verdade profunda da Terra.
Vergílio Ferreira.
in pensar. Bertrand Editora. 1993
3 comentários:
Tens um selo lá no meu estaminé! :)
ups, já vi. obrigada pela dedicação! não era preciso tanto ;)bjs
gosto de te ler!! :)
Beijo e bom fim de semana :)
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