domingo, 4 de janeiro de 2009

não me canso de falar

Não me canso de falar sobre a diferença ténue entre as
mulheres e as árvores,
sobre a magia da terra, sobre um país cujo carimbo não
encontrei em nenhum passaporte.
Pergunto: Senhoras e senhores de bom coração, a terra
dos homens é, como vós afirmais, de todos os homens?
Onde está então o meu casebre? Onde estou eu? A
assembleia aplaudiu-me
durante três minutos, três minutos de liberdade e de
reconhecimento... A assembleia acaba de aprovar
o nosso direito ao regresso, como o de todas as galinhas e
todos os cavalos, a um sonho de pedra.
Aperto-lhes a mão, um a um, depois faço uma saudação,
inclinando-me... e continuo a viagem
para outro país, onde falarei sobre a diferença entre
miragens e chuva.E perguntarei: Senhoras e senhores de bom coração, a
terra dos homens é
de todos os homens?

Mahmud Darwich

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