domingo, 25 de outubro de 2009

chuva

os dias começam a ficar cada vez mais cinzentos, com chuva que os atravessa vinda dos céus, das nuvens; caem gotas, muitas e poucas rebolaram sobre os meus cabelos, desceram no vidro do meu carro, saltaram para os meus sapatos e calças, todas juntas. entre fronteiras reconhecíveis relembro sempre com nostalgia o tempo em que o sol conseguia fazer-me uma sombra; uma companhia permanente, embora escura, num sorriso, à beira mar. não gosto do frio, nem do inverno que está logo ali a seguir. mas gosto da chuva, em especial aquela que molha parvos. e ai que parvos somos todos…

outro tempo tem faltado, ou vontade, de aparecer aqui para escrever sobre a chuva de ideias que tem inundado este país, por causa de situações tolas, de afirmações tolas. e os parvos, como eu, deixam-se, por vezes, também, levar na enxurrada e cair como tordos, de cabeça, no mar de opiniões que descem pelas ruas, a maioria em direcção ao esgoto; algo a que não estamos imunes, quando revelamos o como não gostamos de indiferença. poderia escrever sobre as eleições mas já não é tempo. poderia falar sobre o prémio nobel da paz entregue a obama, antes do tempo. poderia aqui escrever sobre o vídeo da maitê mas está, por si, fora de tempo, sem assunto. poderei escrever sobre as afirmações de saramago mas deus ainda não me deu tempo para ler o livro caim e o que conheço da bíblia leva-me a definir o seu pensamento como primário. poderei escrever sobre a remodelação do governo que a liberdade de expressão me permite considerar como uma grande merda, mesmo sem os dignos ministros terem actuado, pois existe uma conjuntura e, mais do que isso, o conteúdo de um programa, para o qual não há caras que o valham nem tempo para modificar o quer que seja.
agora, após o pouco que escrevi, digam lá que não mereço ser portuguesa ou que não me querem em portugal ou caso vá para fora, não me deixam entrar no país em que nasci que de imediato desejo-vos um balde de água pela cabeça abaixo, só para refrescar ideias… ainda vivo num país livre e democrático, e o tempo dos feudos já era.

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