não quero que digas – vou-me. não te deixarei partir, mesmo que forces a saída. se me beijares, colares a tua boca na minha face e as tuas mãos cobrirem-me por instantes como um cobertor cheio de pelos que se agarram à pele, então poderás; ir. deixar-me de vez, como aquela vez e outra vez; vais. levantar a âncora com a mesma pressa com que a lançaste de encontro ao meu porto; de abrigo. desatraca o teu navio cheio de objectos que disfarçam a tua penúria; material. e se quiseres enche-o dos livros que já li, dos discos que já ouvi, dos filmes que já vi. leva-os contigo, comigo dentro; do teu iate roto. depois, se fores ao fundo não digas que a culpa foi minha. afinal, os teus objectos valem mais do que os meus. para ti.
escrevi.
4 comentários:
Escreve-se sempre para alguém mesmo que esse alguém não nos ouça ou nem sequer saiba que existimos.
..ou para nós próprios... :)
Beijo
para quem escrevo? no essencial gosto do exercício da escrita; e escrevo para mim e umas não sei quantas pessoas que gostam do que escrevo ou que por mero acaso por aqui param. até
lá se vão os livros pro mar!!não havia nexexidade!!
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