segunda-feira, 4 de maio de 2009

vou-me

não quero que digas – vou-me. não te deixarei partir, mesmo que forces a saída. se me beijares, colares a tua boca na minha face e as tuas mãos cobrirem-me por instantes como um cobertor cheio de pelos que se agarram à pele, então poderás; ir. deixar-me de vez, como aquela vez e outra vez; vais. levantar a âncora com a mesma pressa com que a lançaste de encontro ao meu porto; de abrigo. desatraca o teu navio cheio de objectos que disfarçam a tua penúria; material. e se quiseres enche-o dos livros que já li, dos discos que já ouvi, dos filmes que já vi. leva-os contigo, comigo dentro; do teu iate roto. depois, se fores ao fundo não digas que a culpa foi minha. afinal, os teus objectos valem mais do que os meus. para ti.
escrevi.

4 comentários:

a disse...

Escreve-se sempre para alguém mesmo que esse alguém não nos ouça ou nem sequer saiba que existimos.

Anónimo disse...

..ou para nós próprios... :)

Beijo

eu disse...

para quem escrevo? no essencial gosto do exercício da escrita; e escrevo para mim e umas não sei quantas pessoas que gostam do que escrevo ou que por mero acaso por aqui param. até

via disse...

lá se vão os livros pro mar!!não havia nexexidade!!