terça-feira, 3 de março de 2009

palavras com conto (inacabado)

estava a um canto, encostada a uma parede corroída, com a tinta a estalar e buracos incompletos pelos anos já passados. com o copo na mão, observava os teus movimentos sobre as pessoas que insistiam rodear-te, absorver a tua conquista na publicação de um livro quase best-seller; e o teu olhar, profundo, calmo mas claro e a tua mão longa mas estreita. encostada, quis-me sozinha para estar contigo neste momento. lembrar-me de ti tal como eras e como és. seguro o envelope com o teu convite em letra manuscrita e decido libertar-te das víboras que quase te asfixiam, quase em situação de queda peço-te lume para o meu cigarro que teima em meter-se na minha boca quando insisto que já não o quero. acendes o cigarro após um olhar que conheço bem e quase me eleva no mesmo instante; provoca-me a colocar-te a pergunta - o que fazes aqui, nesta sala com ar tão poluído?
esticas-te, suspendes o teu corpo sobre a minha mão, com um copo e respondes-me ao ouvido que nada, nada de interessante se consegue fazer naquelas festas sociais de plumas e pichebeque lavado em ouro. seguro-te a mão. puxo-te de encontro aos jardins daquela mansão impetuosa para nos encontrarmos no tempo perdido entre lágrimas e golpes de pernas, ou o inverso...

1 comentário:

via disse...

porque será que o cigarro é simultaneamente um motivo de aproximação e de repulsa? acho que é nessa contradição de risco com intimidade que se desenrola o seu inegável charme. E depois que se segue... pede-se a continuação, please.