terça-feira, 24 de setembro de 2013

20

que te faço    que te digo     que te mato
que recordo    que pretendo    que adivinho
que te abraço    que te umbigo    que te cato
que te mordo    que te acendo e me cadinho

que minuto    que tempo    que demora
que espaço passo a passo me encaminha
que rua é essa em que sou    e vou embora
embora a luz que fica seja minha

que seca    mas que ferro    e ora essa
no entrementes    na foto que revelo
nos panos quentes encerro antes que esqueça
que boreal aurora me atravessa

uns olhos    um mar de leite e mel
de ondulações nestas mãos que estendo
ao dealbar da coxa    e do papel
em que desligo tudo    e desentendo

que meu deus    são longos estes dias
que secos    que roídos de agonias
que não estás    que não está    que não estarei

mas sobrevivo    inda morrido    te amarei

Pedro Tamen. Rua de Nenhures. Dom Quixote.

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