estamos no tempo. sem tempo. marcam-nos o rosto, riscos e rabiscos. nos olhos, no pescoço, pelo pesado corpo. fechamos as janelas para que não nos vejam, não falamos para que não nos sintam. não gritamos para que não nos prendam. de olhos abertos, para o tecto, do écran. ficamos. são os dedos que falam, e os olhos que mentem. esqueçamos. num output. os carros, os passos sem compasso, os olhares, os gestos, os toques, o vento e a chuva. pouco interessam as palavras.
clica-se no botão. input. a imagem no écran. abre portas, tortas, sem uso. e tornamo-nos admiradores surpresos do admirável mundo. de sempre. com gente. idosos, também. em decomposição. nós, também. continuaremos a ser. um ser. humano. quantas mais as portas conseguirmos abrir. a favor do ser. humano. portas interditas, proibidas, ou fechadas, porque sim. olhemos então para todos os vizinhos, todos os dias, com a garantia de que nenhum, nenhum, ficará colado ao chão durante anos e anos. até que um dia. alguém o levante. como ser. humano. e esse vizinho, poderá um dia, também seres tu.
1 comentário:
nem mais. gosto muito desta posta...
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